MPF abre inquĂ©rito sobre polĂ­tica de combate Ă  violĂȘncia contra mulher

Por AgĂȘncia Brasil 18/12/2025


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As polĂ­ticas de prevenção e combate Ă  violĂȘncia contra a mulher no estado de SĂŁo Paulo sĂŁo objeto de investigação em inquĂ©rito aberto pela Procuradoria Regional dos Direitos do CidadĂŁo (PRDC) do MinistĂ©rio PĂșblico Federal (MPF) em SĂŁo Paulo. O procedimento Ă© justificado pelo aumento expressivo – 10,01% – de casos de feminicĂ­dio no estado, quando comparado o perĂ­odo de janeiro a outubro deste ano com o mesmo perĂ­odo de 2024.MPF abre inquĂ©rito sobre polĂ­tica de combate Ă  violĂȘncia contra mulherMPF abre inquĂ©rito sobre polĂ­tica de combate Ă  violĂȘncia contra mulher

“Defender os direitos fundamentais da mulher faz parte da atribuição do MPF, pois tais violaçÔes representam um desrespeito Ă  Constituição Federal e a tratados e convençÔes internacionais de que o Brasil Ă© signatĂĄrio. AlĂ©m disso, o paĂ­s foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso Maria da Penha, ocasiĂŁo em que diversas providĂȘncias foram recomendadas para que o Estado brasileiro proteja a vida, a dignidade, a integridade e a segurança das mulheres”, justificou o ĂłrgĂŁo, em nota Ă  imprensa.

NotĂ­cias relacionadas:

Entre os elementos citados pela procuradora Ana Leticia Absy na abertura do inquĂ©rito figura a reportagem “2025 jĂĄ Ă© o ano com maior nĂșmero de feminicĂ­dios na capital paulista“, da repĂłrter Flavia Albuquerque, publicada pela AgĂȘncia Brasil em 2 de dezembro.

AlĂ©m das 207 mulheres vĂ­timas de feminicĂ­dio em SĂŁo Paulo, o tema tem sido constantemente debatido apĂłs tentativas de feminicĂ­dio e agressĂ”es, como no caso recente em que um homem arrastou uma mulher, presa a um veĂ­culo, pela Marginal TietĂȘ, uma das principais vias da capital paulista. O autor responde pelo crime.

O MPF questionou, por meio de ofĂ­cios, a acusação – feita pela deputada Erika Hilton apĂłs levantamento junto ao Tribunal de Contas do estado – de que a administração estadual cortou R$ 5,2 milhĂ”es das delegacias e propĂŽs um orçamento 54,4% menor para a Secretaria da Mulher em 2026. Outros pedidos foram feitos Ă s Secretarias de Fazenda estadual e municipal, da capital, e Ă  Secretaria de Segurança PĂșblica.

Outro ponto investigado Ă© a atenção ao tema nos currĂ­culos e prĂĄticas educativas, tanto no estado quanto na cidade de SĂŁo Paulo, conforme previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB – Lei nÂș 9.394/1996).

“O ĂłrgĂŁo encaminhou ofĂ­cios Ă s secretarias de Educação do estado e do municĂ­pio de SĂŁo Paulo e ao MinistĂ©rio da Educação para que esclareçam as medidas adotadas para a inclusĂŁo do conteĂșdo nos currĂ­culos escolares”, informou o MPF.

Outro lado

A Prefeitura de São Paulo não se manifestou até a conclusão desta matéria. O Governo do Estado informou que foi notificado e enviarå as informaçÔes solicitadas dentro do prazo.

Esclareceu, ainda, que “desenvolve uma polĂ­tica intersecretarial para garantir a segurança, a saĂșde e a autonomia financeira das mulheres do Estado. As açÔes sĂŁo realizadas de forma integrada, com orçamento compartilhado entre secretarias como Segurança PĂșblica, SaĂșde, Desenvolvimento Social, Desenvolvimento EconĂŽmico e a Secretaria de PolĂ­ticas para Mulher, responsĂĄvel por coordenar esse trabalho de forma transversal desde a sua criação, em 2023”, o que amplia os recursos disponĂ­veis e permite o desenvolvimento de açÔes que envolvem diversos ĂłrgĂŁos, com polĂ­ticas de apoio a mulheres que saem de lares com violĂȘncia e de monitoramento de agressores.

Em nota, a gestĂŁo estadual explicou que houve aumento de recursos – 70% -para 2026 na comparação com 2025 – nas pastas sociais, e expansĂŁo nos Ășltimos trĂȘs anos na ĂĄrea de Segurança PĂșblica. A Secretaria de Comunicação estadual disse que os recursos das Delegacias de Defesa da Mulher tiveram mudanças a partir de 2024, “passando a englobar tambĂ©m o atendimento de outros pĂșblicos vulnerĂĄveis, como idosos, crianças e adolescentes”.

Esses recursos tĂȘm sido ampliados com expansĂŁo de locais de atendimento, passando de 62 para 108 salas especializadas em delegacias desde 2023. Acrescentou que em 2024 houve aumento de 41,7% das medidas protetivas nas Delegacias de Defesa da Mulher, online e Salas 24h em relação a 2023.

Em 2025, entre janeiro e outubro, a expansĂŁo foi de 21,4% em comparação ao perĂ­odo anterior. Em 2025, de janeiro a outubro, houve 11% de alta no volume de boletins de ocorrĂȘncia nas Delegacias de Defesa da Mulher, online e Salas DDM 24h.

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