O Flamengo perdeu a final da Copa Intercontinental para o PSG nos pĂȘnaltis, no Catar. A taça nĂŁo veio, o bicampeonato escapou, mas a derrota nĂŁo define o que esse clube causou no Brasil em 2025. Independente do resultado dessa decisĂŁo, o time rubro-negro jĂĄ devolveu a sensação de euforia e alegria em bairros, casas e ruas onde o futebol ainda Ă© vivido como identidade, reacendendo um sentimento coletivo que o Brasil nĂŁo reconhece mais na prĂłpria seleção.
Confesso. Entrei no clubismo sem pedir desculpa. Disse, dias atrĂĄs, que o Flamengo hoje Ă© o Ășnico clube capaz de provocar no brasileiro aquela antiga sensação de seleção. NĂŁo por comparação tĂ©cnica, mas por memĂłria. Lembrei do menino que eu era, com cinco anos, vendo Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo transformarem o paĂs num coro sĂł. Aquilo era algo alĂ©m do futebol. Se tratava de algo que sĂł hoje consigo denominar: uma catarse coletiva.
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Quem cresce na periferia aprende cedo a medir o mundo pelo pulso do dia. Em dia de decisĂŁo, o ar muda. O barulho muda. O cheiro muda. Tem foguete antes do almoço, tem carne no improviso, tem conversa atravessada na porta do armarinho. O bairro ganha outra temperatura. Ali nĂŁo existe tese sociolĂłgica que explique melhor do que a prĂłpria vivĂȘncia. A alegria que nasce nesses lugares nĂŁo se compra. NĂŁo cabe em condomĂnio fechado. Ă coisa de pulsação nua e crua que transcende a prĂłpria alma.
O Flamengo ocupa esse espaço. NĂŁo por escolha estĂ©tica, nem por simpatia. Ser Flamengo acontece. Quando se percebe, o coração jĂĄ bate diferente. O clube conversa com uma ancestralidade que vem do batuque, do suor, da insistĂȘncia. Quem quiser entender isso precisa sair do âconfortoâ e assistir a uma decisĂŁo numa favela. A compreensĂŁo vem sem legenda.
O jogo em si foi cruel. O PSG controlou a bola, impĂŽs ritmo, errou e foi salvo. O Flamengo sofreu, resistiu, respondeu. Rossi falhou e salvou. Marquinhos falhou e quase decidiu. O melhor do mundo deles começou no banco e errou. O nosso camisa 9 entrou, mudou o jogo, quase marcou. Jorginho bateu pĂȘnalti como quem entende o peso do instante. Depois vieram os erros. Quatro. Um a um. Cada chute perdido arrancava um pedaço do grito que jĂĄ estava formado.
Aquela explosĂŁo estava pronta. Seria um carnaval deslocado no calendĂĄrio. Um paĂs inteiro pulando antes de fevereiro. NĂŁo aconteceu. Doeu. Chorou-se. Rezou-se. Xingou-se o destino. Ainda assim, ninguĂ©m desligou a televisĂŁo indiferente. Porque isso tambĂ©m Ă© Flamengo. Jogar de frente. NĂŁo se esconder. Cair lutando. Criar a ilusĂŁo e pagar o preço dela. Poucos clubes oferecem esse pacote completo de emoção, do delĂrio ao silĂȘncio.
E talvez esteja aà a provocação maior. Se a seleção brasileira, no ano que vem, conseguir causar metade do que esse Flamengo causou em 2025, mesmo sem levantar taça, jå terå recuperado algo essencial. A camisa amarela também é um manto. Só precisa voltar a conversar com quem ainda sente o futebol como quem sente a própria vida. O Flamengo perdeu o mundo. Mas lembrou ao Brasil como é sentir.
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