O grito engasgado: Flamengo perde o mundo nos pĂȘnaltis, mas reacende um Brasil adormecido

Por Portal Leo Dias 17/12/2025

O Flamengo perdeu a final da Copa Intercontinental para o PSG nos pĂȘnaltis, no Catar. A taça nĂŁo veio, o bicampeonato escapou, mas a derrota nĂŁo define o que esse clube causou no Brasil em 2025. Independente do resultado dessa decisĂŁo, o time rubro-negro jĂĄ devolveu a sensação de euforia e alegria em bairros, casas e ruas onde o futebol ainda Ă© vivido como identidade, reacendendo um sentimento coletivo que o Brasil nĂŁo reconhece mais na prĂłpria seleção.

Confesso. Entrei no clubismo sem pedir desculpa. Disse, dias atrĂĄs, que o Flamengo hoje Ă© o Ășnico clube capaz de provocar no brasileiro aquela antiga sensação de seleção. NĂŁo por comparação tĂ©cnica, mas por memĂłria. Lembrei do menino que eu era, com cinco anos, vendo Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo transformarem o paĂ­s num coro sĂł. Aquilo era algo alĂ©m do futebol. Se tratava de algo que sĂł hoje consigo denominar: uma catarse coletiva.

Veja as fotos

Fotos: Gilvan de Souza e Adriano Fontes/Flamengo
Fotos: Gilvan de Souza e Adriano Fontes/Flamengo
Fotos: Gilvan de Souza e Adriano Fontes/Flamengo
Fotos: Gilvan de Souza e Adriano Fontes/Flamengo
Fotos: Gilvan de Souza e Adriano Fontes/Flamengo
Fotos: Gilvan de Souza e Adriano Fontes/Flamengo

Quem cresce na periferia aprende cedo a medir o mundo pelo pulso do dia. Em dia de decisĂŁo, o ar muda. O barulho muda. O cheiro muda. Tem foguete antes do almoço, tem carne no improviso, tem conversa atravessada na porta do armarinho. O bairro ganha outra temperatura. Ali nĂŁo existe tese sociolĂłgica que explique melhor do que a prĂłpria vivĂȘncia. A alegria que nasce nesses lugares nĂŁo se compra. NĂŁo cabe em condomĂ­nio fechado. É coisa de pulsação nua e crua que transcende a prĂłpria alma.

O Flamengo ocupa esse espaço. NĂŁo por escolha estĂ©tica, nem por simpatia. Ser Flamengo acontece. Quando se percebe, o coração jĂĄ bate diferente. O clube conversa com uma ancestralidade que vem do batuque, do suor, da insistĂȘncia. Quem quiser entender isso precisa sair do “conforto” e assistir a uma decisĂŁo numa favela. A compreensĂŁo vem sem legenda.

O jogo em si foi cruel. O PSG controlou a bola, impĂŽs ritmo, errou e foi salvo. O Flamengo sofreu, resistiu, respondeu. Rossi falhou e salvou. Marquinhos falhou e quase decidiu. O melhor do mundo deles começou no banco e errou. O nosso camisa 9 entrou, mudou o jogo, quase marcou. Jorginho bateu pĂȘnalti como quem entende o peso do instante. Depois vieram os erros. Quatro. Um a um. Cada chute perdido arrancava um pedaço do grito que jĂĄ estava formado.

Aquela explosĂŁo estava pronta. Seria um carnaval deslocado no calendĂĄrio. Um paĂ­s inteiro pulando antes de fevereiro. NĂŁo aconteceu. Doeu. Chorou-se. Rezou-se. Xingou-se o destino. Ainda assim, ninguĂ©m desligou a televisĂŁo indiferente. Porque isso tambĂ©m Ă© Flamengo. Jogar de frente. NĂŁo se esconder. Cair lutando. Criar a ilusĂŁo e pagar o preço dela. Poucos clubes oferecem esse pacote completo de emoção, do delĂ­rio ao silĂȘncio.

E talvez esteja aí a provocação maior. Se a seleção brasileira, no ano que vem, conseguir causar metade do que esse Flamengo causou em 2025, mesmo sem levantar taça, jå terå recuperado algo essencial. A camisa amarela também é um manto. Só precisa voltar a conversar com quem ainda sente o futebol como quem sente a própria vida. O Flamengo perdeu o mundo. Mas lembrou ao Brasil como é sentir.

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