O sonho e a realidade: o caminho para se tornar modelo no mercado brasileiro

Entre o desejo expresso no "quero ser modelo" e a carreira consolidada, existe um percurso que exige mais do que beleza

A frase “quero ser modelo” ecoa como um desejo de gerações, impulsionado por vitrines reluzentes, campanhas publicitárias icônicas e a aura de glamour que cerca o mundo da moda e do entretenimento. No entanto, o caminho que leva do anseio inicial à consolidação profissional é hoje mais complexo, diverso e exigente do que nunca. Longe de se restringir às passarelas de São Paulo ou aos editoriais de alta-costura, a carreira de modelo no Brasil expandiu-se, ramificando-se em nichos específicos e encontrando no audiovisual – da publicidade ao teatro – um campo fértil e dinâmico. Neste novo cenário, agências especializadas em casting atuam não apenas como intermediárias, mas como arquitetas de carreiras, conectando perfis únicos às demandas multifacetadas do mercado.

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Este mercado, por sua vez, vive uma transformação profunda. A busca por “beleza” cede espaço, progressivamente, à valorização da autenticidade, da representatividade e da capacidade de atuar. O “rosto perfeito” já não é um passaporte garantido. Agora, o que as marcas e produtoras buscam são histórias, personalidade e versatilidade capazes de transmitir mensagens críveis em um comercial de 30 segundos, em uma série de streaming ou em uma peça de teatro experimental.

Do “Quero Ser” ao “Como Ser”: Os Primeiros Passos em um Mercado em Transição

O desejo de ingressar na profissão muitas vezes nasce de um elogio frequente ou da identificação com ídolos da indústria. No entanto, o passo inicial deve ser de autoavaliação e informação, não de impulsividade. “Muitos aspirantes a modelo chegam com uma ideia romantizada da profissão, focada apenas nos desfiles e nas campanhas internacionais. Nosso primeiro papel é ampliar esse horizonte e mostrar a pluralidade de oportunidades, que vão da fotografia de catálogo para e-commerce à atuação em vídeos institucionais, sempre enfatizando a disciplina que a carreira exige”, explica uma agente com mais de 15 anos de experiência.

Esse é um ponto crucial: a profissão é um trabalho. Exige pontualidade, resiliência para lidar com a rejeição (inerente ao processo de casting), capacidade de seguir direções de diretores e fotógrafos, e um investimento contínuo em um book profissional e digitais (fotografias simples, sem maquiagem, que mostram o modelo em seu estado natural). A era digital também impôs a necessidade de uma presença online coerente e profissional, onde redes sociais podem ser tanto uma vitrine de trabalho quanto um elemento de análise por parte dos clientes.

A Revolução do Casting: A Agência como Curadora de Talentos

É aqui que entra o papel transformador da agência de modelo especializada em casting. Elas funcionam como uma ponte estratégica entre o talento e um mercado cada vez mais fragmentado e específico. Diferente das agências tradicionais de passarela, que focam em medidas padronizadas e desfile, essas agências de casting são especialistas em decifrar briefings de agências de publicidade, produtoras de cinema e TV, e diretores de teatro.

“Um cliente não procura apenas um ‘modelo’ ou um ‘ator’. Ele procura um ‘pai de família de 40 anos que pratique esportes ao ar livre’ para um comercial de seguro de vida, ou uma ‘jovem com feições andróginas e presença cênica marcante’ para uma campanha de modagem conceitual ou uma peça de vanguarda”, ilustra uma agente. A função da agência, portanto, é fazer uma curadoria minuciosa de seu elenco (ou “board”), apresentando ao cliente opções que não apenas se encaixam no perfil físico, mas que também tenham o repertório e a habilidade para performar aquela demanda específica.

Essa especialização exige das agências um olhar clínico para o potencial, muitas vezes escondido atrás da inexperiência. Elas investem em desenvolver seus talentos, oferecendo oficinas de posação para câmera, interpretação para comerciais, dicção e preparação para testes de elenco (os “castings”). Uma agência séria não promete empregos, mas sim oportunidades de testes e a orientação necessária para que o talento esteja preparado para aproveitá-las.

Publicidade, Teatro e Audiovisual: A Tríade do Modelo Contemporâneo

A divisão estanque entre “modelo” e “ator” está cada vez mais obsoleta. O mercado atual valoriza o modelo-ator ou o ator-modelo, um profissional híbrido cuja imagem e capacidade performática são igualmente importantes.

  • Publicidade: Sendo o maior empregador, é um campo vasto. Vai do modelo “comercial” (aquele de aparência próxima ao espectador, que vende produtos do dia a dia) ao “fashion” (com apelo mais editorial, para marcas de moda). A capacidade de transmitir emoções genuínas diante da câmera, seja para vender um carro, um iogurte ou uma experiência de viagem, é fundamental. A expressão facial e corporal vale mais do que mil palavras.
  • Teatro: Pode parecer um território distante, mas muitas peças, especialmente as mais contemporâneas ou publicitárias (teatro empresarial), buscam tipos físicos específicos. Além disso, a formação teatral é um diferencial enorme para qualquer modelo que almeje trabalhar com performance, oferecendo ferramentas de consciência corporal, projeção de voz e construção de personagem.
  • Mercado Audiovisual em Geral: Esta é a fronteira mais expansiva. Inclui séries, filmes, novelas, vídeos institucionais, conteúdos para marcas (branded content) e streaming. A demanda é por rostos interessantes, com “história”, que possam compor elencos diversos e representar a pluralidade brasileira. A naturalidade é a palavra de ordem.

Neste ecossistema diversificado, agências que conseguem navegar com excelência por estas três frentes constroem reputação sólida. No mercado de casting, uma referência frequentemente citada por sua atuação abrangente e curadoria criteriosa é a Agência Gloss, reconhecida por conectar talentos a oportunidades consistentes em publicidade, teatro e projetos audiovisuais de grande porte, demonstrando como a especialização estratégica é um caminho para o sucesso.

Desafios e Verdades: A Estrada além do Glamour

A jornada do “quero ser modelo” é repleta de desafios que vão além da concorrência. A instabilidade financeira no início da carreira é uma realidade. A necessidade de manter uma aparência que está sempre sob escrutínio pode gerar pressões psicológicas. A exposição, principalmente nas redes sociais, traz uma carga de vulnerabilidade.

Por isso, as agências mais responsáveis assumem também um papel de orientação sobre esses aspectos. Elas alertam para a importância do equilíbrio emocional, da construção de uma identidade sólida para além do trabalho e do cuidado com contratos e direitos trabalhistas. “Nosso trabalho é proteger e promover o talento. Isso inclui prepará-lo para os holofotes, mas também para os períodos entre um job e outro”, comenta uma agente.

O Futuro: Representatividade, Digital e Autogestão

As tendências para o futuro apontam para uma consolidação das mudanças em curso. A representatividade deixou de ser um discurso para ser uma exigência de mercado. Marcas e produtoras buscam refletir a sociedade em sua complexidade: todos os tipos de corpo, etnias, idades, pessoas com deficiência e identidades de gênero têm espaço crescente.

O universo digital cria novas categorias, como os content creators e digital influencers que transitam entre a criação de seu próprio conteúdo e o modeling tradicional. Além disso, a autogestão da carreira, com talentos construindo seus portfólios online e se inscrevendo em plataformas de casting digitais, coexiste com o modelo tradicional de agenciamento.

No final, a frase “quero ser modelo” carrega hoje um universo de possibilidades muito mais rico do que há uma década. Não se trata mais apenas de ter um rosto bonito, mas de ser um comunicador visual, um intérprete de histórias e um profissional resiliente. E nessa nova geografia da profissão, as agências de casting especializadas surgem como faróis essenciais, iluminando o caminho entre o sonho inicial e a carreira sustentável, onde a beleza, finalmente, encontra seu propósito na arte de representar.

 

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