Com o aumento significativo das chuvas desde o Natal, o Acre entrou em estado de atenção para riscos associados a alagamentos e à presença de animais silvestres em áreas residenciais. Entre a noite do dia 25 e a madrugada do dia 26, choveu por mais de 15 horas consecutivas, com acumulado superior a 80 milímetros, volume considerado elevado para o mês de dezembro e que já mobiliza os órgãos de monitoramento.

Bióloga Marinara Lusvardi orienta moradores de igarapés, lagos e áreas de várzea após registro de jacaré em quintal da parte alta de Rio Branco/Foto: Reprodução
O alerta ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de um vídeo gravado por um morador da parte alta de Rio Branco, que registrou um jacaré boiando em um igarapé que passa nos fundos de sua residência. O episódio chamou a atenção para os cuidados necessários de quem vive próximo a igarapés, lagos e áreas de gapó, que costumam encher neste período chuvoso.
A bióloga Marinara Lusvardi explica que, com o aumento do nível das águas, é comum que animais silvestres mudem de comportamento. “Nesse período de bastante chuva, muitos animais procuram fugir da água ou saem em busca dela, depende muito da espécie. Quase sempre acabam entrando em quintais e até dentro de casas, principalmente nas áreas próximas a rios e igarapés”, afirmou.
Segundo a especialista, a principal orientação é não tentar manejar os animais por conta própria. “Nunca tentar atirar, nunca se aproximar ou tocar sem conhecimento. Muitas vezes, basta dar espaço e tempo que o animal segue o caminho dele e vai embora sozinho”, destacou. Caso o bicho permaneça no local ou represente risco à família, a recomendação é acionar o Corpo de Bombeiros.
Marinara também esclareceu que, nesta época, é comum o aparecimento de cobras que não são peçonhentas, como cobra-d’água, falsa-coral e buritizeira. “Essas espécies geralmente estão tentando fugir da água e não oferecem risco, mas quem não tem conhecimento não deve mexer”, alertou. O mesmo vale para caranguejeiras, que não são venenosas nem agressivas e ainda ajudam no controle de insetos dentro das casas.
A bióloga reforça que matar animais silvestres é crime ambiental e pode gerar penalidades legais. “A orientação é clara: não se aproximar, não tentar manejar sozinho e chamar os bombeiros quando necessário”, concluiu.
Com a previsão de continuidade das chuvas, autoridades reforçam a importância da prevenção e da atenção redobrada nas áreas mais suscetíveis a alagamentos, evitando acidentes e preservando a segurança das famílias e da fauna silvestre.
