O Plenário da Câmara dos Deputados deve votar na próxima terça-feira (16) o relatório substitutivo à proposta de emenda constitucional da Segurança Pública (PEC-18). Nesta quarta-feira (10), a comissão especial na Câmara trouxe argumentos favoráveis e contrários ao parecer do relator da matéria, o deputado Mendonça Filho (União-PE). Outras sugestões ao texto final podem ser enviados até a votação. 

Entre as propostas previstas no parecer, estĂŁo a ampliação da competĂŞncia da PolĂcia Federal, a previsĂŁo de um referendo popular sobre a redução da maioridade penal para menores envolvidos no crime organizado e crimes violentos e a autorização para medidas cautelares que busquem asfixiar empresas envolvidas com facções criminosas, como expropriação de bens de empresas.
Recursos
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O relator também é a favor da proibição do bloqueio ou contingenciamento de recursos da União destinados à área da segurança. Ele manteve a constitucionalização prevista no texto original do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen). Hoje, esses fundos são o principal mecanismo de financiamento federal para a segurança pública.
No parecer de Mendonça Filho, está prevista a ampliação de fontes de financiamento de polĂticas pĂşblicas de combate ao crime organizado, com distribuição de recursos para estados e municĂpios.
Segundo o relator informou nesta terça-feira (9), a proposta amplia as fontes de financiamento para a área da segurança e, conforme previa o texto original do Executivo, constitucionaliza os Fundos Nacionais de Segurança Pública (FNSP) e o Fundo Nacional Penitenciário (Funpen).
Integração
O deputado Jorge Solla (PT-BA) destacou a necessidade, no projeto, da criação de uma instância interfederativa, como estava previsto no projeto original encaminhado pelo governo em abril. Um sistema Ăşnico de segurança pĂşblica, com responsabilidades compartilhadas, como ocorre com o Sistema Ăšnico de SaĂşde (SUS). “Acho que essa Ă© uma lacuna”, disse.Â
Em resposta, o relator, Mendonça Filho, disse que os pontos essenciais da proposta original do governo foram contemplados. “O que eu defendo Ă© cooperação e integração, cada um cuidando das suas responsabilidades”, afirmou. Ele defendeu que cabe ao governo central o combate ao tráfico internacional de armas e de drogas, e Ă s facções que atuam em zonas de fronteira e zonas interestadual.Â
Pela oposição ao governo, o deputado CapitĂŁo Alden (PL-BA) disse que “esperava mais” do texto da PEC, já que na opiniĂŁo dele nĂŁo está previsto o piso salarial de policiais. Ele criticou ainda o item que prevĂŞ a criação da polĂcia municipal comunitária, e regras de transição para os guardas municipais se tornarem policiais.Â
Pela proposta de Mendonça Filho, a PolĂcia Federal, alĂ©m de atuar contra crime organizado e milĂcias, vai combater crimes ambientais. Mendonça Filho tambĂ©m propĂ´s a criação da polĂcia municipal comunitária, com foco na proteção comunitária e regras especĂficas, e regras de transição para os guardas municipais se tornarem policiais.Â
O parlamentar tambĂ©m defendeu autorização para compartilhamento de dados contra crime organizado e de medidas cautelares para expropriação patrimonial de pessoas jurĂdicas que se envolvam com facções lesivas e perigosas.Â
Maioridade
Outra proposta do relator Ă© a de um referendo nacional sobre redução da maioridade, em 2028, para menores envolvidos em crime organizado e crimes violentos.Â
Mendonça Filho tambĂ©m apresentou proposta com objetivo de alterar a gestĂŁo de presĂdios. O texto cria o Sistema de PolĂticas Penais para definir regime disciplinar interno, aplicar sanções e regulamentar visitas. O parecer tambĂ©m aumenta a competĂŞncia da PolĂcia Penal para atuar como polĂcia administrativa, para controlar presos e gerir o sistema prisional.

