A polêmica envolvendo a campanha de Ano Novo da Havaianas, acusada por apoiadores da direita de sugerir um recado político ao dizer que “não quer que você comece o ano com o pé direito”, reacendeu debates sobre posicionamento e vínculos políticos no mercado de consumo. Enquanto isso, documentos públicos revelam que os principais acionistas da Grendene, fabricante de marcas concorrentes como Ipanema, Melissa, Rider e Cartago, fizeram doações expressivas às campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
De acordo com registros do DivulgaCand, Alexandre Grendene Bartelle, fundador da empresa e proprietário de 44,14% das ações, doou R$ 1 milhão para a campanha de Bolsonaro em 2022. Seu irmão, Pedro Grendene Bartelle, que detém 13,89% das ações, realizou doação no mesmo valor. Em 2018, ambos já haviam contribuído com R$ 3 mil cada para a campanha do então candidato, que ainda operava com orçamento reduzido.
A relação de empresas do setor calçadista com políticos voltou ao centro das discussões justamente após a divulgação da peça publicitária da Havaianas com a atriz Fernanda Torres. No vídeo, ela afirma: “desculpa, mas eu não quero que você comece o ano com o pé direito”, frase interpretada como indireta política. Diante das críticas, a marca precisou bloquear os comentários no Instagram.
A controvérsia ganhou contornos ainda mais amplos porque o CEO da Alpargatas, dona da Havaianas, Liel Marcio Cintra Miranda, integrou o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS) do governo Lula em 2023. Ele foi dispensado do colegiado em 2024 após deixar o comando da Mondelez no Brasil.
Nas redes sociais, políticos como o vereador Gilson Machado Filho (PL) e o deputado federal Luiz Lima criticaram a campanha da Havaianas. Internautas de direita passaram a defender um boicote à marca, enquanto especialistas em marketing avaliam que o timing — a dois anos de uma nova eleição — intensificou a repercussão negativa.
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