PolĂ­cia revela Ășltimos passos de paulistas mortos em emboscada no PR

Por MetrĂłpoles 11/12/2025 Ă s 01:02

A Polícia Civil esclareceu a dinùmica do crime envolvendo os paulistas mortos após ficarem 45 dias desaparecidos no Paranå. Eles morreram em agosto deste ano depois de terem sido contratados para cobrar uma dívida naquele estado e, segundo as investigaçÔes, não sofreram tortura ou foram mantidos em cativeiro, sendo enterrados logo após o assassinato.

Os amigos Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza sumiram depois de saírem de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, no dia 5 de agosto. Os quatro corpos só foram encontrados no dia 19 de setembro em uma årea de mata em Icaraíma, no interior paranaense.

Segundo as autoridades, a autoria do crime ainda segue em investigação. Os principais suspeitos são Antînio Buscariollo e Paulo Buscariollo – pai e filho –, que seriam os supostos devedores dos R$ 255 mil que o grupo tinha ido cobrar.

Cobrança de dívida

A investigação apurou que Alencar, paraense, contratou o serviço de cobrança com Diego. Em conversas recuperadas entre os dois, Alencar destacou que os Buscariollo eram envolvidos com ilícitos em Icaraíma e manifestou seu temor quanto à cobrança da dívida e uma possível retaliação. O serviço de cobrança teria o custo de 50% do valor da dívida, segundo informaçÔes repassadas por Diego.

As conversas entre Alencar e as outras vítimas aconteceram no dia 4 de agosto, possivelmente antes da chegada dos paulistas em Icaraíma. Ao chegarem à cidade, os quatro foram até Vila Rica, onde realizaram o primeiro contato com AntÎnio e Paulo, mas não chegaram a um acordo sobre a dívida.

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Na manhĂŁ do dia 5, Diego enviou ĂĄudios para sua esposa, explicando o que teria ocorrido no dia anterior e chegou a afirmar que “o cara estava atĂ© com o revĂłlver no bolso. O velho anda armado aqui. Mas hoje nĂłs vamos voltar de novo”. Segundo a PolĂ­cia Civil, os cobradores retornaram a Vila Rica pela manhĂŁ e voltaram para IcaraĂ­ma por volta das 12h. Às 11h47, Diego enviou novos ĂĄudios para a esposa, dizendo que os devedores estavam se escondendo deles.

ApĂłs o envio desses ĂĄudios, os amigos foram novamente no sentido de Vila Rica utilizando a Fiat Toro que foi achada enterrada dentro de um bunker, a cerca de nove quilĂŽmetros da propriedade onde o grupo cobraria a dĂ­vida. Os corpos foram encontrados a aproximadamente 500 metros do bunker.

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Divulgação/ Polícia Civil do Paranå

A investigação aponta que Robishley, Rafael, Diego e Alencar foram mortos assim que chegaram na propriedade rural que era o objeto da dĂ­vida, por volta das 12h30. A apuração aponta que eles foram alvo de uma emboscada, sendo fuzilados por ao menos cinco armas de fogo, de calibres diversos, deflagrados de trĂȘs pontos distintos.

De acordo com a Polícia Civil do Paranå, não houve sequestro, as vítimas não foram mantidas em cativeiro e não houve tortura, pois as mortes foram instantùneas. Após a execução, as vítimas foram levadas até o local de enterro dentro da própria Fiat Toro, colocadas na cova onde os corpos foram encontrados e, em seguida, o automóvel foi encaminhado até o bunker e enterrado.

PolĂ­cia apura envolvimento do crime organizado

Uma das linhas de investigação da polĂ­cia Ă© a de que tanto os suspeitos, quanto as vĂ­timas, poderiam ter envolvimento com o crime organizado. Segundo as apuraçÔes, a teoria ganhou força quando chegou ao conhecimento das autoridades que a dĂ­vida da cobrança, alĂ©m do desacerto relacionado a uma propriedade rural em Vila Rica, tambĂ©m envolvia “negĂłcios ilĂ­citos entre as partes”.

Apesar de estar trabalhando com essa linha, a polĂ­cia paranaense reitera que ainda nĂŁo Ă© possĂ­vel afirmar que exista a relação ilĂ­cita entre os amigos Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso – as vĂ­timas; e Antonio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo – os suspeitos.

Ainda de acordo com as autoridades, foi necessårio, para o rumo das investigaçÔes, levantar o histórico criminal dos suspeitos e das vítimas. Antonio responde por posse ilegal de arma e nada consta na ficha criminal de Paulo. Jå no caso dos amigos, crimes como ameaça, estelionato, tråfico e tentativa de homicídio aparecem nas fichas (veja a lista completa abaixo).

Rafael e Robishley, inclusive, jĂĄ foram presos. Diego nĂŁo chegou a ficar detido, mas tinha registros no seu histĂłrico. Nada consta na ficha de Alencar.

Ficha criminal das partes:

Antonio Buscariollo (suspeit0)

  • 2018: posse ilegal de arma de fogo

Paulo Ricardo Costa Buscaruillo (suspeito)

  • Nada consta

Diego Henrique Affonso (vítima)

  • 2024: ameaça contra esposa, no Ăąmbito da violĂȘncia domĂ©stica (Lei Maria da Penha), estelionato;
  • 2023: estelionato, ameaça, redução a condição anĂĄloga Ă  de escravo;
  • 2022: ameaça, estelionato;
  • 2021: estelionato, difamação, ameaça, injĂșria;
  • 2019: apropriação indĂ©bita
  • 2018: ameaça.

Rafael Juliano Marascalchi (vítima)

  • 2025: ameaça;
  • 2023: exercĂ­cio arbitrĂĄrio das prĂłprias razĂ”es;
  • 2022: exercĂ­cio arbitrĂĄrio das prĂłprias razĂ”es;
  • 2018: ameaça;
  • 2017: ameaça contra a esposa, no Ăąmbito da violĂȘncia domĂ©stica e familiar;
  • 2014: ameaça;
  • 2008: trĂĄfico de drogas e associação para o trĂĄfico de drogas;
  • 2007: trĂĄfico de drogas;
  • 2005: tentativa de homicĂ­dio.

Robishley Hirnani de Oliveira (vítima)

  • 2018: dano, estelionato, ameaça;
  • 2017: estelionato;
  • 2016: ameaça, exercĂ­cio arbitrĂĄrio das prĂłprias razĂ”es, ameaça contra esposa no Ăąmbito da violĂȘncia domĂ©stica, lesĂŁo culposa no trĂąnsito e fuga do local do acidente, estelionato;
  • 2015: estelionato;
  • 2014: embriaguez ao volante, estelionato, ameaça;
  • 2013: ameaça contra esposa no Ăąmbito da violĂȘncia domĂ©stica; crime ambiental contra flora;
  • 2003: furto qualificado.

Alencar Gonçalves de Souza Giron (vítima)

  • Nada consta

A PolĂ­cia Civil do ParanĂĄ reforçou que ainda nĂŁo hĂĄ data definida para a conclusĂŁo das investigaçÔes devido ao grande volume de dados em anĂĄlise. Inclusive, uma força-tarefa foi montada para examinar o material. É possĂ­vel que as apuraçÔes ainda levem meses.

Segundo as autoridades, sĂł serĂĄ possĂ­vel definir o momento da morte de Alencar, Robishey, Rafael e Diego e a dinĂąmica dos fatos apĂłs a conclusĂŁo de diversos laudos periciais.

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