O cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, que recentemente determinou a suspensão das transmissões ao vivo das missas celebradas pelo padre Júlio Lancellotti, já tem data prevista para deixar o comando da arquidiocese. A saída, no entanto, não está relacionada diretamente à decisão sobre as lives, mas ao cumprimento de uma norma da Igreja Católica.
Dom Odilo completou 75 anos em setembro de 2024 e, conforme determina o Código de Direito Canônico, apresentou oficialmente seu pedido de renúncia ao Vaticano em outubro do mesmo ano. A legislação da Igreja estabelece que bispos e arcebispos devem colocar seus cargos à disposição do Papa ao atingirem essa idade.
O pedido foi aceito pelo papa Francisco, que, no entanto, solicitou que Dom Odilo permanecesse no cargo por mais dois anos, estendendo seu mandato até o fim de 2026. Até lá, ele continuará responsável pela Arquidiocese de São Paulo, uma das maiores e mais importantes da América Latina, que administra igrejas distribuídas em seis regiões da capital paulista.
Após sua saída definitiva, caberá ao Papa Leão XIV nomear o novo arcebispo da cidade.
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Trajetória de Dom Odilo
Natural de Cerro Largo (RS), Dom Odilo tem 76 anos e ocupa o cargo de arcebispo de São Paulo desde 2007. No mesmo ano, foi elevado ao cardinalato pelo papa Bento XVI, passando a integrar o seleto grupo de conselheiros diretos do pontífice e eleitores nos conclaves.
Em 2013, chegou a ser apontado internacionalmente como um dos possíveis sucessores de Bento XVI e participou do conclave que elegeu o papa Francisco.
Suspensão das transmissões do padre Júlio
A decisão que reacendeu o debate público ocorreu após Dom Odilo determinar que o padre Júlio Lancellotti suspendesse as transmissões ao vivo de suas missas e reduzisse sua atuação nas redes sociais. O próprio sacerdote confirmou, no domingo (14/12), que aquela seria a última celebração transmitida on-line.
Padre Júlio, que atua há mais de 40 anos na Paróquia São Miguel Arcanjo, na Mooca, é conhecido nacionalmente pelo trabalho com a população em situação de rua, à frente da Pastoral do Povo da Rua. Com mais de 2 milhões de seguidores, suas missas chegavam a alcançar cerca de 15 mil visualizações.
Em nota, o religioso afirmou que a decisão ocorre durante um “período de recolhimento temporário”, reforçando sua obediência à Arquidiocese. As celebrações presenciais seguem normalmente.
A Arquidiocese de São Paulo informou que a decisão foi tomada em conversa privada entre Dom Odilo e o padre Júlio, sem detalhar os motivos da suspensão.
Fonte: Metrópoles
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