O mês de dezembro mal começou e já traz indicativos preocupantes sobre o comportamento do Rio Acre para o fim do ano e para o início de 2026. Em entrevista ao ContilNet, o coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão, afirmou que o cenário hídrico da bacia exige atenção redobrada, mesmo quando a chuva não cai diretamente sobre Rio Branco.
Com base nos monitoramentos realizados nesta primeira semana de dezembro, a Defesa Civil trabalha com a expectativa de que o nível do rio suba de maneira contínua até o fim do mês.
Segundo ele, essa projeção considera tanto o volume acumulado nas cabeceiras quanto o encharcamento do solo | Foto: Pedro Devani/Secom
“Digamos que chova zero em Rio Branco. Mas se chover muito nas cabeceiras, o rio vai encher. E vai encher bastante. Tudo isso nós estamos analisando agora que começou de fato o mês chuvoso. Nós esperamos muita chuva em dezembro, e quando falo isso não é só aqui na capital, é na bacia inteira. Provavelmente vamos terminar o ano com o Rio Acre medindo entre 8 e 9 metros. É uma cota perigosa para iniciar 2026”, destacou.
Segundo ele, essa projeção considera tanto o volume acumulado nas cabeceiras quanto o encharcamento do solo, que já se encontra mais saturado. Se fecharmos dezembro com o rio a 8 ou 9 metros, já com o solo úmido e encharcado, isso significa que janeiro, fevereiro e março ninguém segura esse rio. Ele vai subir bastante”, afirmou o coordenador.
Único dia de dezembro já acumula chuva equivalente a toda a semana
Falcão pontuou que o volume de chuva registrado nesta sexta-feira (5) já é suficiente para igualar todo o acumulado da semana. O dado reforça o quanto o regime de chuvas está se intensificando rapidamente.
A Defesa Civil trabalha com a expectativa de que o nível do rio suba de maneira contínua até o fim do mês | Foto: Reprodução
“Até amanhã de hoje, tínhamos 18 milímetros acumulados. Mas o que chove hoje equivale praticamente ao acumulado da semana inteira. Mesmo que não tenha chovido muito em Rio Branco, na bacia já registramos entre 250 e 300 milímetros só nesta primeira semana de dezembro”, explicou.
Essa diferença entre a chuva local e a chuva que cai na bacia é um dos principais fatores que aceleram a subida do Rio Acre, fazendo com que o nível do manancial tenha variado intensamente ao longo dos últimos dias.
“Não estamos preocupados com transbordamento agora. A preocupação é com as consequências dessas oscilações. A principal delas é a formação de balseiros, que coloca em risco a captação de água e a navegação e aumenta muito a possibilidade de acidentes”, relatou.
