Lances que valeriam hoje: quando a bola entrou, mas o árbitro não viu
Ao longo das décadas, o futebol conviveu com gols inteiros que desapareceram diante de erros humanos inevitáveis. Em tempos sem chip na bola e sem tecnologia de detecção automática, decisões tomadas em frações de segundo mudaram destinos, derrubaram campanhas e alimentaram debates intermináveis.
O portal LeoDias Esportes pesquisou e puxou na história lances históricos em que a bola cruzou a linha (às vezes claramente, às vezes por centímetros ) mas a arbitragem não viu. São jogadas que, no futebol atual, seriam validadas em menos de um segundo pelo apito do relógio do juiz.
Inglaterra x Alemanha — Copa do Mundo de 1966
O gol mais discutido da história das Copas aconteceu na final em Wembley. O chute de Geoff Hurst bateu no travessão, quicou próximo da linha e saiu. O juiz suíço Gottfried Dienst consultou o bandeirinha soviético Tofiq Bahramov, que correu para o meio-campo e confirmou o gol da Inglaterra. Até hoje, imagens em diferentes ângulos não permitem concluir com precisão se a bola entrou totalmente. A tecnologia de linha resolveria a questão em menos de um segundo e, talvez, o título mundial tivesse outra narrativa.
Alemanha x Inglaterra — Copa do Mundo de 2010
Em Bloemfontein, nas oitavas de final daquela edição, Frank Lampard acertou um chute forte que bateu no travessão e ultrapassou a linha por cerca de 30 cm. A arbitragem não percebeu, e o gol que empataria a partida em 2 a 2 não foi validado. O lance, amplamente registrado por câmeras, se tornou um símbolo da necessidade urgente de tecnologia. Na época, após esse erro, a Alemanha ampliou o placar e eliminou os ingleses por 4×1. Pouco depois, a FIFA aprovou de vez o uso da tecnologia da linha do gol.
Gols que seriam anulados com o VAR: o que não passaria hoje
Os equívocos também ocorreram no sentido inverso. Antes do VAR, impedimentos milimétricos, faltas no início da jogada, toques com o braço e empurrões discretos passaram despercebidos, sustentando gols que, no futebol contemporâneo, durariam apenas até a revisão da cabine.
Nesta parte, relembramos lances célebres (outros nem tanto) que atravessaram a história apesar de irregularidades evidentes. Jogadas que hoje seriam rapidamente anuladas, mas que outrora influenciaram campeonatos, carreiras e narrativas esportivas inteiras.
A “Mão de Deus”: Argentina x Inglaterra, Copa de 1986
Maradona subiu com o goleiro Shilton e empurrou a bola com a mão para o gol. O lance passou despercebido pela arbitragem tunisiana e se tornou um dos momentos mais famosos e controversos da história do esporte. Com VAR, a jogada seria anulada imediatamente.
Boca Juniors x Palmeiras — Final da Libertadores de 2000
Marcelo Delgado marcou para o Boca em lance em que aparece impedido na origem da jogada. A arbitragem validou o gol, e o lance influenciou diretamente a disputa que terminaria com título argentino nos pênaltis. Com o VAR, o gol não sobreviveria à revisão.
Internacional x Corinthians — Brasileirão de 2005
No episódio que desencadeou o caso Edílson Pereira de Carvalho, um gol irregular do Inter foi validado e depois anulado dias mais tarde, provocando uma reviravolta sem precedentes. A jogada teria sido revisada minutos depois com o VAR, evitando toda a crise subsequente.
Flamengo x Atlético-MG — Final do Brasileirão de 1980
O gol de Reinaldo, em jogada em que ele domina com o braço antes de finalizar, é um dos momentos mais lembrados quando se fala em lances que hoje seriam invalidados. A câmera lenta expõe o toque irregular, impossível de escapar do VAR moderno.
O clássico que virou símbolo da era pré-tecnologia: Flamengo x Vasco, 2014
A final do Campeonato Carioca de 2014 entre Flamengo e Vasco se tornou um dos lances mais lembrados quando o assunto é erro de arbitragem que, nos padrões atuais, seria automaticamente revisado e muito provavelmente corrigido pelo VAR. O clássico terminou empatado por 1 a 1 no Maracanã e deu o título ao Flamengo, mas o gol marcado pelo volante Márcio Araújo, aos 45 minutos do segundo tempo, teve origem em um lance amplamente questionado pelos vascaínos.
Quando a tecnologia salvou e mudou o futebol para sempre
A transição para o futebol guiado pela tecnologia trouxe controvérsia, mas também precisão, justiça e novos capítulos decisivos. Desde a Copa do Mundo de 2018, com o VAR estreando em lances que alteraram jogos de candidatos ao título, até a implantação da GLT (“goal-line technology”) que garante a validação instantânea de bolas que ultrapassam a linha, esses recursos têm reescrito o esporte.
França x Austrália — Copa do Mundo de 2018: o primeiro gol confirmado por tecnologia de linha com VAR na história das Copas
A estreia da França no Mundial da Rússia marcou a primeira vez em que a arbitragem combinou VAR e tecnologia da linha para validar um gol. Aos 34 minutos do segundo tempo, Paul Pogba tabelou com Mbappé e Giroud e dividiu com o lateral Behich. A bola encobriu o goleiro Ryan, bateu no travessão e ultrapassou a linha por poucos centímetros.
O relógio do árbitro apitou imediatamente, confirmando o gol mediante o chip na bola. No relatório oficial, a FIFA registrou o lance como gol contra de Behich, mas o episódio entrou para a história como o primeiro gol decisivo confirmado por tecnologia em uma Copa.
“Estou bastante feliz que a bola tenha entrado e que tenhamos vencido o jogo. Foi o mais importante”, disse Pogba no dia seguinte. A vitória seria o primeiro passo rumo ao título mundial.
O episódio simbolizou o contraste entre eras: em Copas anteriores, lances assim poderiam não ser vistos e mudariam completamente classificações, campanhas e, em casos extremos, campeões.
A transformação definitiva no futebol
A adoção do VAR, do chip da bola e da tecnologia da linha permitiu que decisões antes cercadas de dúvida fossem resolvidas em segundos. Lances polêmicos que alimentaram discussões por décadas hoje teriam desfechos objetivos. Por outro lado, gols como o da França em 2018 e o do Flamengo confirmado pelo relógio do árbitro, mostram que a tecnologia também garante justiça em momentos decisivos, evitando que erros mudem destinos.
A cada temporada, cresce a lista de partidas marcadas pela precisão eletrônica. E, ao olhar para trás, fica claro que muitas páginas do futebol teriam sido escritas de forma diferente se esses recursos existissem antes. A tecnologia não apaga a história, mas redefine como ela seria contada.
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