A Câmara dos Deputados viveu uma tarde de tensão nesta terça-feira (9/12), quando Glauber Braga (PSOL/RJ) decidiu se instalar na cadeira da Presidência, em protesto contra a decisão de Hugo Motta (Republicanos/PB) de levar ao plenário o processo que pode cassar seu mandato. O ato, que durou pouco mais de duas horas, terminou com a retirada forçada do parlamentar pela Polícia Legislativa. A ação provocou um tumulto generalizado nos corredores e interrompeu a transmissão da sessão pela TV Câmara e pelo YouTube.
A remoção de Glauber desencadeou empurrões entre jornalistas, seguranças e parlamentares no Salão Verde. A imprensa foi expulsa antes da operação, e a polícia cercou a Mesa Diretora para impedir registros do momento em que o deputado era puxado da cadeira presidencial. Vídeos do tumulto passaram a circular nas redes por meio de gravações feitas por deputados presentes.
Veja as fotos
Do lado de fora do plenário e acompanhado pela esposa, deputada Sâmia Bomfim (PSOL/SP), Glauber classificou a ação como autoritária e comparou o episódio à ocupação bolsonarista da Mesa Diretora ocorrida meses antes. Segundo ele, a ocasião não contou com nenhuma ordem de retirada pelo uso da força. O deputado alegou ainda estar sofrendo perseguição política e disse que permaneceria resistindo “até o limite das forças”.
A sessão foi fechada para o público por volta das 17h30, e a Polícia Legislativa assumiu o controle da área. O deputado é alvo de um processo por quebra de decoro parlamentar, acusado de ter agredido um integrante do MBL no ano passado. Em abril, quando o Conselho de Ética aprovou a recomendação de cassação, ele chegou a fazer uma greve de fome de mais de uma semana, encerrada após um acordo com o presidente da Casa, Hugo Motta, sobre os prazos de defesa.
Em discurso após a confusão, Motta afirmou que Glauber “ultrapassou todos os limites regimentais” e disse ter determinado a investigação de possíveis excessos da polícia contra a imprensa. O presidente da Câmara também classificou o ato como “um desrespeito ao Legislativo” e reafirmou que seguirá com a tramitação das cassações previstas para votação, como as de Carla Zambelli, Alexandre Ramagem, Eduardo Bolsonaro e do próprio Glauber.
A oposição ao governo Lula se dividiu na avaliação do episódio. Parlamentares de diferentes partidos, do Novo ao PT, criticaram o caos instaurado, enquanto aliados de Glauber admitem que o gesto pode ter ampliado as chances de cassação. A defesa do deputado registrou boletim de ocorrência após alegar agressões sofridas durante o tumulto.

