O Festival Varadouro retorna ao calendário cultural reunindo artistas veteranos e novos nomes da cena amazônica.
A produtora cultural Carla Martins afirmou que a retomada busca dar continuidade ao legado do evento. “A gente traz de volta o festival, talvez menos saudosista, mas mais pensando que há uma narrativa que precisa ser continuada”, disse. Ela destacou que o line-up contempla diferentes fases da produção musical local. “A escalação recebeu artistas dessas cenas de agora, gente que está fazendo as suas composições e seus trabalhos.”

O festival retornará depois de 15 anos/Foto: Reprodução
Martins explicou que a curadoria priorizou representantes da Amazônia. “Nós vamos ter duas bandas do Amapá, uma banda do Amazonas, três artistas do Pará e uma artista de Rondônia”, afirmou. A programação também inclui Donatinho e Tulipa Ruiz, além da banda peruana Rua Nexo Combo. Ela ressaltou o impacto da logística no orçamento. “Metade do orçamento vai em passagem. Para nós, a passagem virou algo impeditivo.” O festival conta com recursos da Lei Aldir Blanc, emenda parlamentar e investimento da produtora.

Carla é uma das produtoras do evento e destacou a importância dele para a cultura local/Foto: ContilNet
O presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), Minoru Kinpara, avaliou que o retorno do festival é reflexo da política cultural nacional. “A gente precisa comemorar, acima de tudo, a volta do Ministério da Cultura”, afirmou. Ele destacou o papel das novas leis de fomento. “Leis importantes como a Paulo Gustavo e outras políticas que vão até 2028 trazem cerca de 58 milhões divididos para cinco anos.” Para ele, o investimento público é determinante. “O governo chega, coloca na mão de quem sabe fazer cultura, e esses que sabem fazer cultura geram emprego, renda e oportunidades.”
A participação da sociedade civil também integra a proposta desta edição. Angélica Mendes, representante do Comitê Chico Mendes, afirmou que o festival reforça a relação entre cultura e debate climático. “Trazer para a juventude, para a criançada, essa palavra do que está acontecendo, que a gente consiga ver o que está acontecendo no mundo a partir da cultura”, disse.

O instituto Chico Mendes participa de forma ativa na nova edição do Varadouro/Foto: ContilNet
Ela lembrou que o evento fez parte de sua formação. “É um festival que atravessou a minha adolescência.” Para ela, ações como o Varadouro fortalecem a visibilidade da região. “A gente vive às margens do Brasil, e é muito difícil produzir qualquer atividade cultural. A gente tem muito que comemorar, muito que fortalecer ações como essa. E viva o Festival Varadouro!”
O ex-deputado e músico Daniel Zen, que já produziu o festival em suas primeiras edições, destacou as principais novidades desta retomada. “O Varadouro faz parte do que eu sou”, afirmou.
Ele ressaltou que o evento sempre buscou integrar diferentes linguagens artísticas. “Ele se dizia um festival de artes integradas. A gente chamava a turma do grafite, tinha o pessoal do skate, vinha gente do Brasil todo.” Ao lembrar da trajetória do evento, reforçou que as memórias servem agora para projetar novos caminhos. “A lembrança não é pra ficar nostálgico. É pra projetar o futuro. Eu acho que tem um futuro grande aí.”
Zen enfatizou duas mudanças inéditas nesta edição. A primeira é o pagamento para todos os artistas. “Essa vai ser a primeira edição do Festival Varadouro que vai pagar cachê para todos os artistas. Todos”, afirmou.

Daniel Zen, que já foi produtor do evento, se apresentará com sua banda na edição de 2025/Foto: ContilNet
Ele disse que a medida corrige uma dificuldade histórica. “Os artistas estavam corretos em criticar. A gente não conseguia pagar cachê para todo mundo. Agora vai ser diferente.”
A segunda novidade é a estrutura de financiamento. Segundo ele, o evento só foi possível porque “juntou-se um pedacinho de cada lugar”. Zen explicou: “Abriu-se a possibilidade de remanejar emendas que não tinham sido executadas. Essas emendas do último ano do nosso mandato foram destinadas para o Comitê, junto com o recurso da PNAB e o recurso estadual.” Para ele, a união dos apoios atende a uma demanda reprimida de mais de uma década. “Depois de 15 anos, o Varadouro volta para sua casa originária, no Atlético Clube Juventus, o clube do povo.”
Zen retorna ao festival também como artista. “Dessa vez, não como produtor. Eu quero tocar baixo”, afirmou. Ele concluiu destacando o caráter coletivo da retomada. “É um esforço público para valorizar a arte, a cultura e a integração das linguagens. Vamos celebrar uns aos outros e celebrar a cultura do Acre. Vida longa ao Varadouro!”
A entrada será gratuita em todos os dias de programação. A edição inclui um vídeo apresentado durante o encontro desta sexta-feira (5), destacando a proposta de conectar diferentes gerações. A programação começa no domingo (7), com o Esquenta na Casa Ninja Amazônia; segue na quarta, com a Noite do Metal no Studio Beer; e na quinta, com a Mal, Música Criana Urbana, no Hélio Melo. As apresentações principais ocorrem de sexta a domingo, a partir das 16h, no Juventus.
“Quero convidar as pessoas para estarem conosco no Varadouro, de todas as idades, de todo lugar”, disse Carla Martins.
