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Retomada do Festival Varadouro inclui atrações internacionais e novas linguagens musicais

Por Vitor Paiva, ContilNet

O Festival Varadouro retorna ao calendário cultural reunindo artistas veteranos e novos nomes da cena amazônica.

A produtora cultural Carla Martins afirmou que a retomada busca dar continuidade ao legado do evento. “A gente traz de volta o festival, talvez menos saudosista, mas mais pensando que há uma narrativa que precisa ser continuada”, disse. Ela destacou que o line-up contempla diferentes fases da produção musical local. “A escalação recebeu artistas dessas cenas de agora, gente que está fazendo as suas composições e seus trabalhos.”

Retomada do Festival Varadouro inclui atrações internacionais e novas linguagens musicais

O festival retornará depois de 15 anos/Foto: Reprodução

Martins explicou que a curadoria priorizou representantes da Amazônia. “Nós vamos ter duas bandas do Amapá, uma banda do Amazonas, três artistas do Pará e uma artista de Rondônia”, afirmou. A programação também inclui Donatinho e Tulipa Ruiz, além da banda peruana Rua Nexo Combo. Ela ressaltou o impacto da logística no orçamento. “Metade do orçamento vai em passagem. Para nós, a passagem virou algo impeditivo.” O festival conta com recursos da Lei Aldir Blanc, emenda parlamentar e investimento da produtora.

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Carla é uma das produtoras do evento e destacou a importância dele para a cultura local/Foto: ContilNet

O presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), Minoru Kinpara, avaliou que o retorno do festival é reflexo da política cultural nacional. “A gente precisa comemorar, acima de tudo, a volta do Ministério da Cultura”, afirmou. Ele destacou o papel das novas leis de fomento. “Leis importantes como a Paulo Gustavo e outras políticas que vão até 2028 trazem cerca de 58 milhões divididos para cinco anos.” Para ele, o investimento público é determinante. “O governo chega, coloca na mão de quem sabe fazer cultura, e esses que sabem fazer cultura geram emprego, renda e oportunidades.”

A participação da sociedade civil também integra a proposta desta edição. Angélica Mendes, representante do Comitê Chico Mendes, afirmou que o festival reforça a relação entre cultura e debate climático. “Trazer para a juventude, para a criançada, essa palavra do que está acontecendo, que a gente consiga ver o que está acontecendo no mundo a partir da cultura”, disse.

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O instituto Chico Mendes participa de forma ativa na nova edição do Varadouro/Foto: ContilNet

Ela lembrou que o evento fez parte de sua formação. “É um festival que atravessou a minha adolescência.” Para ela, ações como o Varadouro fortalecem a visibilidade da região. “A gente vive às margens do Brasil, e é muito difícil produzir qualquer atividade cultural. A gente tem muito que comemorar, muito que fortalecer ações como essa. E viva o Festival Varadouro!”

O ex-deputado e músico Daniel Zen, que já produziu o festival em suas primeiras edições, destacou as principais novidades desta retomada. “O Varadouro faz parte do que eu sou”, afirmou.

Ele ressaltou que o evento sempre buscou integrar diferentes linguagens artísticas. “Ele se dizia um festival de artes integradas. A gente chamava a turma do grafite, tinha o pessoal do skate, vinha gente do Brasil todo.” Ao lembrar da trajetória do evento, reforçou que as memórias servem agora para projetar novos caminhos. “A lembrança não é pra ficar nostálgico. É pra projetar o futuro. Eu acho que tem um futuro grande aí.”

Zen enfatizou duas mudanças inéditas nesta edição. A primeira é o pagamento para todos os artistas. “Essa vai ser a primeira edição do Festival Varadouro que vai pagar cachê para todos os artistas. Todos”, afirmou.

Retomada do Festival Varadouro inclui atrações internacionais e novas linguagens musicais

Daniel Zen, que já foi produtor do evento, se apresentará com sua banda na edição de 2025/Foto: ContilNet

Ele disse que a medida corrige uma dificuldade histórica. “Os artistas estavam corretos em criticar. A gente não conseguia pagar cachê para todo mundo. Agora vai ser diferente.”

A segunda novidade é a estrutura de financiamento. Segundo ele, o evento só foi possível porque “juntou-se um pedacinho de cada lugar”. Zen explicou: “Abriu-se a possibilidade de remanejar emendas que não tinham sido executadas. Essas emendas do último ano do nosso mandato foram destinadas para o Comitê, junto com o recurso da PNAB e o recurso estadual.” Para ele, a união dos apoios atende a uma demanda reprimida de mais de uma década. “Depois de 15 anos, o Varadouro volta para sua casa originária, no Atlético Clube Juventus, o clube do povo.”

Zen retorna ao festival também como artista. “Dessa vez, não como produtor. Eu quero tocar baixo”, afirmou. Ele concluiu destacando o caráter coletivo da retomada. “É um esforço público para valorizar a arte, a cultura e a integração das linguagens. Vamos celebrar uns aos outros e celebrar a cultura do Acre. Vida longa ao Varadouro!”

A entrada será gratuita em todos os dias de programação. A edição inclui um vídeo apresentado durante o encontro desta sexta-feira (5), destacando a proposta de conectar diferentes gerações. A programação começa no domingo (7), com o Esquenta na Casa Ninja Amazônia; segue na quarta, com a Noite do Metal no Studio Beer; e na quinta, com a Mal, Música Criana Urbana, no Hélio Melo. As apresentações principais ocorrem de sexta a domingo, a partir das 16h, no Juventus.

“Quero convidar as pessoas para estarem conosco no Varadouro, de todas as idades, de todo lugar”, disse Carla Martins.

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