Com a aproximação do inverno amazônico e o aumento das chuvas em Rio Branco, a Defesa Civil Municipal acendeu um alerta para o risco crescente de erosões em diversas regiões da cidade. O coordenador da Defesa Civil, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou ao ContilNet que a tendência é de agravamento dos pontos já comprometidos e surgimento de novos processos erosivos ao longo do período chuvoso.
Segundo Falcão, o risco é real e aumenta à medida que o volume de chuva se intensifica. “Aumenta, aumenta sim o risco de novas erosões. Praticamente temos a certeza de que esses pontos vão avançar conforme o período chuvoso se intensifica”, afirmou.

Defesa Civil intensifica vigilância em área com risco de desmoronamento | Foto: Val Fernandes
O coordenador citou locais onde o problema já é evidente, como a Travessa Campo Novo, no Ayrton Senna, onde recentemente uma pessoa sofreu um acidente ao cair de moto devido à erosão. Outro ponto crítico é o entorno da Praça do Relógio, área, localizada em uma travessa entre a Avenida Getúlio Vargas e a Avenida Antônio da Rocha Viana, que sofre influência direta das instabilidades do Igarapé São Francisco.
“Ali na Praça do Relógio nós já estamos elaborando relatórios. A área de isolamento deve ser ampliada, e a ciclovia e a passagem de pedestres provavelmente serão interrompidas porque o risco aumentou muito”, adiantou Falcão.

Falcão também detalhou o processo que faz com que o risco cresça nesta época do ano | Foto: Marcos Araújo/Assecom
Ele explica que tanto os rios quanto os igarapés de Rio Branco têm formações sinuosas, o que intensifica o impacto da correnteza nas curvas e acelera o desgaste das encostas. Além do Igarapé São Francisco, outros pontos da cidade inspiram preocupação, como áreas próximas ao Rio Acre, ao Igarapé Judia e a trechos urbanos onde o solo apresenta fragilidade natural.
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“Todos os lugares onde há curvas, a força da água é maior. Isso faz com que a erosão avance dia após dia, principalmente agora com mais chuva. Temos vários pontos em Rio Branco. Monitoramos o Rio Acre, monitoramos o Judia, monitoramos muitos trechos de igarapés que trazem problema de erosão”, disse.
Por que as erosões aumentam com a chuva?
Falcão também detalhou o processo que faz com que o risco cresça nesta época do ano. Segundo ele, o encharcamento do solo é um dos principais fatores. O mesmo mecanismo, acrescenta ele, pode criar novas erosões onde ainda não há desmoronamentos visíveis.
“A água da chuva infiltra no solo, e essa água precisa sair por algum lugar. Nesse movimento, ela leva sedimentos, desloca a terra e faz o solo se mover. É isso que aumenta as erosões já existentes. Em pontos onde já existe fragilidade, essa água infiltrada dá início ao processo erosivo. É assim que surgem novos problemas”, explica.
Com a previsão de chuvas mais intensas nos próximos dias e semanas, a Defesa Civil prepara uma atuação ainda mais presente nos pontos críticos. “Estamos constantemente monitorando, mas agora vamos intensificar ainda mais, porque o risco aumenta e, quanto maior o risco, maior também precisa ser o monitoramento”, afirmou Falcão.
