O policial Daniel Gomes abriu o jogo sobre a morte de Tim Lopes e revelou que, para solucionar o caso e localizar os restos mortais do repórter, precisou cometer um crime. Em entrevista a Jorge Lordello para o canal Na Cena do Crime, ele detalhou a situação, um segredo que ficou guardado por mais de 20 anos.
Segredo revelado
O comissário relatou que, durante a investigação do caso, recebeu na delegacia um preso oriundo da mesma comunidade ligada ao desaparecimento de Tim Lopes, a Vila Cruzeiro. Ao interrogá-lo, buscou informações que pudessem indicar o paradeiro do jornalista, que foi torturado e assassinado por Elias Maluco, então chefe do tráfico local, em 2002.
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O detido afirmou que, enquanto estivesse preso, não teria condições de ajudar, mas que, em liberdade, poderia circular pela favela e levantar detalhes que a polícia não conseguia obter. Daniel, então, decidiu colocá-lo em liberdade sem comunicar superiores ou formalizar o procedimento.
Jorge Lordello e Daniel Gomes
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No dia seguinte à soltura, o homem telefonou para o comissário e informou que a investigação avançava na direção errada. Disse ainda onde o repórter estaria enterrado, indicando a localização conhecida como Pedra do Saco. Para concluir o caso, o policial elaborou um relatório final no qual registrou que Tim Lopes assumia riscos ao realizar reportagens investigativas na comunidade, o que, segundo ele, contribuía para o contexto que levou ao assassinato.
A inclusão dessa afirmação resultou na abertura de um processo interno na corregedoria, que se estendeu por dois anos e terminou sem punição após a análise dos fatos.
Daniel Gomes, hoje com 72 anos e ainda na ativa, dedica quase quatro décadas à Polícia Civil do Rio de Janeiro e tinha 49 anos quando assumiu a investigação do desaparecimento de Tim Lopes, em 2 de junho de 2002. Naquele período, a pressão para encontrar o jornalista vivo ou morto era enorme. A Vila Cruzeiro era dominada pelo Comando Vermelho, e a lei do silêncio tornava impossível obter informações sobre o paradeiro do repórter.
O trabalho também levou à prisão de Elias Maluco, em 19 de setembro de 2002, além de outros oito envolvidos diretamente na execução do jornalista.
Além de sua atuação no caso, Daniel Gomes é escritor, professor de novos policiais e já ministrou palestras até para forças de segurança nos Estados Unidos. Mesmo com quase 40 anos de carreira, segue sem intenção de se aposentar.

