Todo fim de ano carrega uma promessa coletiva: “em janeiro eu começo”.
Começo a dieta, começo a treinar, começo a cuidar de mim.
Mas enquanto o calendário muda, o corpo continua o mesmo, com os mesmos hábitos, cansaço acumulado, emoções e necessidades.
A verdade é simples, mas libertadora: saúde não começa em janeiro.
Ela começa quando há consciência, não quando há uma data marcada.
O mito do recomeço perfeito
Janeiro ganhou um simbolismo que não existe do ponto de vista fisiológico.
O corpo não reconhece virada de ano, lista de metas ou promessas emocionais. Ele responde a estímulos repetidos: alimentação, sono, rotina, estresse e movimento.
Quando tudo é adiado para janeiro, geralmente acontece:
-
procrastinação disfarçada de planejamento
-
excesso de expectativa
-
metas irreais
-
mudanças bruscas
-
frustração precoce
Não por falta de vontade, mas porque o ponto de partida já nasce exausto.

Reprodução
Por que adiar o cuidado com a saúde atrapalha o processo
Esperar “o momento certo” cria um ciclo conhecido:
-
excessos hoje
-
culpa amanhã
-
promessa futura
-
repetição do mesmo padrão
Além disso, recomeços radicais em janeiro costumam gerar:
-
restrições extremas
-
desorganização hormonal
-
aumento da fome e da ansiedade
-
relação conflituosa com a comida
O resultado raramente é sustentável.
O que realmente funciona na prática clínica
Mudanças que permanecem não começam com motivação máxima, mas com ações pequenas e possíveis, como:
-
regular horários das refeições
-
melhorar a hidratação
-
incluir mais alimentos naturais
-
reduzir excessos aos poucos
-
organizar o jantar
-
dormir um pouco melhor
-
observar sinais do corpo
Essas escolhas simples constroem base metabólica, emocional e comportamental para evoluções maiores.
Saúde é processo, não evento
Cuidar da saúde não é um desafio de 30 dias.
É um processo construído no meio da rotina, do trabalho, da família e da vida real.
Quando essa visão muda:
-
a alimentação deixa de ser punição
-
o corpo deixa de ser problema
-
o cuidado passa a ser contínuo
Saúde não exige perfeição. Exige constância.
O papel do acompanhamento nutricional
Sem orientação, muitas pessoas tentam sozinhas, se perdem em informações contraditórias e acabam desistindo.
O acompanhamento com um nutricionista ajuda a transformar intenção em plano e plano em rotina possível, respeitando individualidade, contexto e objetivos.
Não é sobre fazer tudo de uma vez.
É sobre fazer o que é sustentável.
Saúde não começa em janeiro. Ela começa quando você decide se cuidar sem esperar a data ideal.
Encerrar o ano com essa consciência tira o peso das promessas e abre espaço para escolhas mais realistas, gentis e duradouras.
O melhor momento para começar não é quando o ano vira.
É quando a mentalidade muda.
Referências científicas
-
Mann T et al. Diets are ineffective and may be harmful. American Psychologist, 2007.
-
Polivy J, Herman CP. Dieting and binge eating. American Psychologist, 1985.
-
Berthoud HR. Homeostatic and non-homeostatic controls of eating. Obesity, 2012.
-
Dulloo AG et al. Adaptive thermogenesis and appetite. Obesity Reviews, 2015.
-
Kanoski SE. Cognitive fatigue and overeating. Frontiers in Neuroscience, 2012.

Luana Diniz / Clara Lis fotografia
*COLUNA NUTRIÇÃO EM PAUTA / LUANA DINIZ NUTRICIONISTA – CRN7 16302
Nutricionista e atleta, formada pela Universidade Federal do Acre, pós-graduada em nutrição clínica esportiva. Trabalha com atendimento clínico nutricional em parceria com a loja de suplementos Be Strong Fitness e é colunista do ContilNet em assuntos sobre alimentação e sua correlação com saúde e bem-estar.
Instagram: @luanadiniznutricionista
Contato: (68) 99973-0101
