Sob intensa comoção, o ativista cultural e comunicador Moisés Alencastro foi sepultado nesta quarta-feira, 24, em Rio Branco. A cerimônia reuniu familiares, amigos, artistas, militantes e representantes de diferentes setores da sociedade acreana, que prestaram as últimas homenagens e cobraram justiça pelo crime.
Durante o sepultamento, músicos acreanos realizaram apresentações em homenagem a Moisés, com canções que marcaram sua trajetória e refletiam o vínculo que ele mantinha com a cena cultural local. A música Encontros e Despedidas abriu as homenagens, emocionando os presentes e levando muitos às lágrimas. Artistas amigos destacaram a sensibilidade, o acolhimento e o incentivo que Moisés sempre ofereceu à cultura independente no Acre.
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Um dos momentos mais marcantes da cerimônia foi o desabafo da irmã de Moisés, que cobrou responsabilização pelo crime e afirmou, em meio à emoção, que o responsável “tem que pagar”. O pronunciamento foi interrompido após ela passar mal e ser amparada por pessoas que acompanhavam o enterro.
Entre as autoridades presentes, o presidente da ApexBrasil e ex-governador do Acre, Jorge Viana, destacou o legado deixado por Moisés e a forma como ele atuava em um ambiente de intolerância. Viana afirmou que o ativista era insubstituível e ressaltou sua capacidade de diálogo, convivência e leveza na militância, mesmo mantendo posições políticas claras.
Moisés Alencastro foi encontrado morto em seu apartamento, em Rio Branco, no último fim de semana. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. Inicialmente tratado como latrocínio, o crime teve o enquadramento revisto após o avanço das investigações. A Polícia Civil informou que a dinâmica aponta para homicídio seguido de furto, já que a subtração de bens ocorreu após a morte da vítima.
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Segundo a polícia, não houve sinais de arrombamento no imóvel, o que indica que a entrada ocorreu de forma consensual. Objetos pessoais, como o veículo e o telefone celular, foram levados, mas os investigadores descartam que o roubo tenha sido a motivação principal do assassinato. A apuração considera que os autores tinham algum tipo de vínculo com a vítima.
Conhecido por sua atuação no meio cultural, Moisés Alencastro construiu ao longo dos anos uma rede de amizades e parcerias, sendo reconhecido como um incentivador da cultura, do diálogo e da convivência entre diferentes visões. O sepultamento, marcado por homenagens, emoção e indignação, refletiu a dimensão de sua presença e o impacto de sua morte.
A Polícia Civil segue com as investigações, colhendo depoimentos e analisando provas periciais para esclarecer completamente o crime e identificar os responsáveis.
