Uma startup da cidade de Praia Grande, no litoral de São Paulo, está desenvolvendo um projeto que pode levar energia limpa e contínua a uma comunidade indígena no Acre por meio da instalação de turbinas oceânicas adaptadas para rios amazônicos. A iniciativa é conduzida pela Tidalwatt, empresa integrante do programa Sebrae for Startups, e tem foco em impacto social, ambiental e energético.
O projeto prevê a instalação de turbinas subaquáticas diretamente nos rios, aproveitando a força constante das correntes de água para gerar eletricidade de forma renovável. Inicialmente desenvolvida para operar em mares, a tecnologia foi adaptada para ambientes fluviais, mantendo a capacidade de geração contínua, 24 horas por dia, diferentemente de fontes como a solar e a eólica, que dependem de condições climáticas específicas.
Projeto prevê instalação de turbinas subaquáticas em rios para garantir eletricidade contínua a comunidade indígena/Foto: Reprodução
Para dar início ao estudo de viabilidade, o CEO e fundador da Tidalwatt, Maurício Otaviano de Queiroz, deve viajar até a Aldeia Nomanawa, localizada em Cruzeiro do Sul, no Acre. A visita tem como objetivo avaliar as condições hidrográficas da região e confirmar o potencial dos rios ao redor da comunidade para receber as turbinas.
A proposta surgiu a partir de um convite do cacique Iama, liderança da aldeia, que apontou a necessidade de energia elétrica constante para melhorar a qualidade de vida da população local. Segundo ele, a falta de eletricidade limita a conservação de alimentos e o uso de equipamentos básicos. “Eles precisam de energia para conservar os alimentos por mais tempo, para geladeiras, iluminação e, no futuro, freezers”, relata a equipe do projeto.
A tecnologia desenvolvida pela startup se diferencia por conseguir aproveitar um volume maior de água, não apenas o fluxo direto sobre a turbina, o que aumenta a eficiência energética. Além disso, trata-se de uma fonte considerada limpa, por não emitir gases de efeito estufa e não provocar impactos ambientais significativos, princípio central da transição energética frente aos efeitos das mudanças climáticas.
Tecnologia desenvolvida para o mar será adaptada para rios amazônicos e pode gerar energia limpa 24 horas por dia/Foto: Reprodução
Experiências semelhantes já vêm sendo observadas no Parque Tecnológico de Santos, onde soluções desse tipo demonstram como a energia limpa pode transformar economias locais, reduzir a dependência de combustíveis fósseis e contribuir para um modelo energético mais sustentável.
A Tidalwatt também participou de programas de aceleração do Sebrae, considerados fundamentais para impulsionar negócios inovadores com capacidade de gerar soluções reais para problemas globais. Segundo a empresa, o projeto no Acre representa um passo importante dentro dessa transição energética, aliando tecnologia, preservação ambiental e impacto social.
A expectativa da comunidade indígena é de que, com a implantação do sistema, seja possível melhorar o armazenamento de alimentos e ampliar o acesso à energia. “Nós temos esperança de que amanhã ou depois possamos usar o freezer que temos, e que outras famílias também tenham. Agora vamos trabalhar mais e rezar mais”, afirmou o cacique.
