Tutora atacada por cachorro tem vida transformada após perder parte do lábio

Natani Santos, de 35 anos, foi atacada pelo próprio chow-chow em Ji-Paraná (RO) e hoje passa por reconstrução facial e recomeço emocional

A história de Natani Santos, 35 anos, marcou o estado de Rondônia em 2025 e continua repercutindo até hoje. A acreana teve parte do lábio superior arrancado após ser atacada pelo próprio cachorro da raça chow-chow em Ji-Paraná (RO). O episódio mudou completamente sua vida, provocando um longo processo de recuperação física e emocional.

Eu tive que recomeçar. Voltei para o Acre e voltei a dançar, a treinar, a cantar. Eu precisava cuidar da minha cabecinha, porque estava uma bagunça”, disse Natani em seu primeiro pronunciamento após o acidente. Desde então, ela tenta reconstruir a rotina e a autoestima.

O caso voltou a ganhar destaque em dezembro dentro da série do g1 Rondônia que revisita reportagens marcantes de 2025.

Natani Santos (à esquerda) depois da mordida do seu cachorro Jacke, de 5 anos (à direita), que não vive mais com ela — Foto: redes sociais

O ataque

O acidente ocorreu em 5 de maio de 2025, dentro da casa onde Natani morava. Jacke, o chow-chow adotado ainda filhote e companheiro da tutora por cinco anos, rosnou e avançou repentinamente. O ataque foi rápido e violento.

Natani correu para o hospital e recebeu atendimento emergencial. Ela teve alta no mesmo dia, mas a lesão no lábio era profunda e exigiria cirurgias complexas.

Reconstrução facial

O caso chamou a atenção do Projeto Leozinho, de Santa Catarina, que oferece tratamentos gratuitos de reconstrução facial para pessoas sem condições de arcar com os custos. Natani viajou ao estado e já passou por duas etapas de reconstrução e preenchimento, aguardando agora a terceira e última cirurgia.

Repercussão e eutanásia do animal

Após o ataque, o marido de Natani, Tiago Pinto, levou o cachorro ao Centro de Zoonoses, preocupado com a segurança dos filhos. Ele assinou autorização para eutanásia, caso fosse necessário.

O animal passou cinco dias em observação. Segundo a Secretaria Municipal de Proteção e Bem-Estar Animal de Ji-Paraná, o cão apresentou “agressividade extrema”. Testes descartaram raiva e outras doenças. Mesmo assim, Jacke foi sacrificado.

O caso gerou forte repercussão nas redes sociais e o casal passou a receber ataques e ameaças.

Mudança de vida

Após o trauma, Natani não conseguiu permanecer na casa onde tudo ocorreu e decidiu voltar para Rio Branco (AC). Entre consultas psicológicas, sessões de fisioterapia facial e apoio da família, tenta reconstruir sua rotina.

Hoje, busca trazer leveza ao dia a dia: voltou a dançar, a treinar e até retomou projetos artísticos que estavam parados. Nas redes sociais, compartilha momentos de superação.

No início, tentou apagar tudo que lembrava o acidente. Depois, entendeu que o enfrentamento faz parte do processo.

Eu só queria esquecer, até entender que esquecer é impossível. A gente aprende a lidar. Aprendi quem estava comigo, que eu não sou fraca e que tenho uma força que eu nem sabia que tinha”, contou.


Fonte: g1 Rondônia / Relatos da vítima e órgãos municipais
✍️ Redigido por ContilNet

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