A Prefeitura de Rio Branco mantém a situação de emergência diante do agravamento dos impactos provocados pelas chuvas intensas e pela elevação do nível do rio Acre, que já afetam a estrutura urbana e milhares de famílias na capital. A medida dá continuidade ao decreto ainda durante a primeira enchente de 2025.
Autoridades municipais e representantes da Defesa Civil apresentam documento que mantém a situação de emergência em Rio Branco diante dos impactos das chuvas e da elevação do nível do Rio Acre/Foto: ContilNet
O coordenador da Defesa Civil municipal, coronel Cláudio Falcão, explicou que a nova decretação é necessária para assegurar a permanência do estado de emergência. “A decretação anterior, do dia 14 de março, ainda está em vigor, mas nós precisávamos fazer uma nova decretação, até mesmo para permanecer a situação de emergência já decretada no início”, afirmou. Segundo ele, o prazo de um ano é essencial para enfrentar os efeitos combinados de eventos extremos. “Às vezes o campo passou por uma seca e volta por uma inundação. Só essa pluviometria de dezembro já não ocasionou apenas desabrigamento de pessoas, nós temos a parte estrutural da cidade abalada.”
De acordo com Falcão, os danos vão além das áreas alagadas. “Nós temos crateras abertas por conta da chuva, ruas que foram rompidas, e isso precisa de tempo para recuperação. É por isso que a decretação dura o tempo necessário para poder recuperar”, disse. Ele ressaltou que o cenário atual é raro na série histórica do município. “Uma situação como essa só aconteceu uma vez em todo o período de monitoramento da Defesa Civil, que é de 55 anos, no dia 26 de dezembro de 1975.”
O coordenador destacou que esta é a sexta situação de emergência relacionada a cheias nos últimos anos. “Nós tivemos 21, 22, 23, 24, 25 e agora em 25 pela segunda vez. É a sexta decretação”, afirmou. Desde a madrugada de sexta-feira, segundo ele, equipes atuam de forma contínua. “Estamos fazendo a remoção de pessoas, abrindo os abrigos, levando diretamente para a assistência social, que faz o acolhimento e gerencia os abrigos sob coordenação da Defesa Civil.”
Falcão detalhou a mobilização da estrutura municipal. “Em tempo recorde, o prefeito autorizou que a gente começasse a movimentar o parque desde sábado, com limpeza, e no domingo a Secretaria de Infraestrutura já entrou com a construção de abrigos”, relatou. “Hoje, 48 horas depois, vamos entregar 60 abrigos prontos e já estamos conversando para que até quarta-feira possamos receber pessoas nesse local.”
Atualmente, o município conta com oito abrigos em funcionamento. “Mais de seis já estão esgotados”, informou. Segundo o coordenador, o número de famílias atingidas é elevado. “Na zona urbana de Rio Branco, estamos alcançando cerca de 4 mil famílias, e na zona rural mais de mil, totalizando 5 mil famílias, o que dá em torno de 20 mil pessoas.”
Ele ressaltou que todas as secretarias estão envolvidas no atendimento. “A prefeitura, com todas as suas secretarias, está acolhendo esse povo. É o momento de dar uma pausa em qualquer outra situação”, disse. Falcão mencionou impactos em outros serviços, como a educação. “Já há prejuízo porque escolas foram cedidas para abrigos e ainda estavam no calendário letivo, mas a prioridade é o atendimento às pessoas.”
Ele informou ainda que já foram registrados 12 desbarrancamentos em diferentes pontos da cidade e que, no fim da manhã, a velocidade de elevação do nível do rio Acre voltou a aumentar.
