Uma denúncia de compra de voto feita durante a sessão que elegeu a nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de Mercês, na Zona da Mata mineira, resultou na abertura de inquérito pela Polícia Civil e na atuação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O caso ocorreu na terça-feira (2), quando o vereador Marcelio Estevam Teixeira, conhecido como Marcelo Moto Som (Mobiliza), afirmou ter recebido R$100 mil para votar no candidato José Ivanio de Oliveira (PSD).
A fala foi registrada pela gravação oficial da Câmara, publicada em rede social, onde o parlamentar aparece exibindo uma grande quantia em dinheiro retirada de uma bolsa. Segundo o vereador, o valor teria sido entregue por um empresário e dono de posto de combustíveis da cidade, identificado como Calixto Domingos Neto. Após a revelação, a Polícia Militar foi chamada e apreendeu os valores.
O vereador afirma possuir vídeos e áudios que comprovariam a entrega do dinheiro | Foto: Reprodução
O delegado Arthur Simões abriu inquérito para investigar possível crime de corrupção. O MPMG informou ter solicitado formalmente a abertura da investigação. A advogada de defesa de Marcelio, Leury Oliveira, afirmou que o caso já está sob análise da Polícia Militar. A reportagem procurou o empresário citado, mas, segundo pessoa que atendeu a ligação, ele não pretende comentar o assunto.
A eleição para a Mesa Diretora ocorreu mesmo após a denúncia. José Elizio Ribeiro Coelho (PSD) foi escolhido presidente da Câmara e Marcelio Moto Som assumirá a vice-presidência a partir de janeiro de 2026. A definição tem impacto direto na administração municipal, já que o presidente eleito poderá assumir temporariamente a prefeitura caso o prefeito eleito, Donizete Calixto (Mobiliza), permaneça impedido de tomar posse.
O prefeito eleito teve sua candidatura indeferida nas eleições de 2024 e aguarda julgamento do recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em novembro, o processo estava previsto para análise, mas um pedido de vista do ministro André Mendonça adiou a decisão para o próximo ano.
No registro da Polícia Militar, a presidente da Câmara, Rosimeire das Merces Costa (Avante), aparece como responsável pelo acionamento da corporação. O documento relata que, antes da votação, o vereador Marcelio disse ter recebido R$50 mil em espécie e R$50 mil em cheque para direcionar o voto. Ele afirmou também que vinha sendo procurado há cerca de dois meses pelo empresário e por outras pessoas para influenciar o resultado da eleição.
O objetivo do grupo, segundo o parlamentar, seria garantir que o candidato apoiado pudesse assumir a prefeitura interinamente caso o impasse jurídico envolvendo Donizete Calixto não fosse resolvido. O vereador afirma possuir vídeos e áudios que comprovariam a entrega do dinheiro.
A Polícia Civil segue investigando o caso. O TSE, como de praxe, informou que não comenta processos em tramitação.
