Vereador do PL preso abusava de ‘mulheres extremamente vulneráveis’ em troca de cesta básica, diz delegada

O caso agora segue para análise do Ministério Público e da Justiça. A Delegacia de Defesa da Mulher mantém o canal aberto para que novas vítimas procurem a polícia

A Delegacia de Defesa da Mulher de Piracicaba (SP) afirma que o vereador Cássio Luiz Barbosa, conhecido como Cássio Fala Pira (PL), mantinha um padrão sistemático de crimes sexuais desde 2015, sempre direcionado a mulheres em situação de extrema vulnerabilidade. Segundo a delegada Olívia dos Santos Fonseca, as vítimas buscavam o parlamentar em busca de ajuda — muitas vezes por cesta básica ou oferta de emprego — e eram submetidas a abusos e situações degradantes.

Cássio foi preso em outubro e, nesta quarta-feira (3), teve a prisão temporária convertida em preventiva. Ele também é investigado em outro inquérito por suposta posse de material de abuso infantil. O vereador nega todas as acusações.

A polícia ouviu cerca de 25 mulheres entre vítimas e testemunhas, recolheu celulares, computadores, laudos e registros de conversas. A Promotoria identificou 12 vítimas com relatos de estupro ou importunação sexual. Outros casos foram arquivados por terem ocorrido antes de a lei de importunação sexual entrar em vigor, em 2018, mas seus depoimentos reforçam o padrão descrito no inquérito.

Vereador do PL preso abusava de ‘mulheres extremamente vulneráveis’ em troca de cesta básica, diz delegada/Foto: Reprodução

Entre as denúncias, há relatos de abusos dentro do gabinete do vereador na Câmara Municipal, toques forçados nas partes íntimas das vítimas e abordagens sexuais feitas sob o pretexto de oferecer emprego ou cesta básica. A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na casa, no escritório e no gabinete do parlamentar.

Com a prisão, Cássio pediu afastamento sem remuneração até 16 de dezembro, aprovado pela Câmara. Dias depois, o Legislativo suspendeu suas funções por determinação judicial. O suplente só será convocado se a ausência ultrapassar 120 dias.

O Diretório Municipal do PL reconheceu a gravidade das denúncias e informou que poderá abrir processo disciplinar caso elas sejam confirmadas. A defesa do vereador afirma que ele é inocente, que não há provas contra ele e que sua honra está sendo atingida por “ilações infundadas”.

O caso agora segue para análise do Ministério Público e da Justiça. A Delegacia de Defesa da Mulher mantém o canal aberto para que novas vítimas procurem a polícia.

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