Morreu na madrugada deste sábado (10), no municĂpio de Limoeiro, em Pernambuco, o acreano Agenor GerĂ´nimo de Souza, aos 63 anos. Natural de Rio Branco, ele enfrentava um tratamento contra câncer de prĂłstata e vivia no estado nordestino desde que se aposentou do serviço pĂşblico no Acre.
Agenor era formado em Direito pela Universidade Federal do Acre (Ufac) e construiu sua trajetĂłria profissional como assistente jurĂdico da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), onde atuou atĂ© a aposentadoria. Apesar da carreira no serviço pĂşblico, foi por uma iniciativa voluntária e silenciosa que ele se tornou amplamente conhecido entre moradores da capital acreana.

Natural de Rio Branco, Agenor mantinha o hábito de plantar cajueiros mesmo após se mudar para o Nordeste/Foto: Reprodução
Ao longo dos anos, Agenor se dedicou ao plantio de cajueiros em áreas urbanas, especialmente em terrenos baldios, espaços públicos e locais abandonados. A ação, realizada por conta própria, chamou a atenção pela constância e pelo impacto visual. Em Rio Branco, há registros de árvores plantadas em pontos como a Avenida Antônio da Rocha Viana, o Conjunto Manuel Julião e as proximidades do Canal da Maternidade, onde centenas de mudas teriam sido cultivadas ao longo do tempo.
Segundo pessoas prĂłximas, o cajueiro era escolhido de forma simbĂłlica, por ser uma árvore resistente, capaz de oferecer sombra e alimento, alĂ©m de se adaptar bem ao clima da regiĂŁo. A prática era vista por Agenor como uma forma de contribuir com a cidade e deixar um legado ambiental acessĂvel Ă população.
Mesmo apĂłs se mudar para Pernambuco, em (2023), ele manteve o hábito. Amigos relatam que Agenor continuou plantando árvores frutĂferas em áreas urbanas da cidade onde passou a viver, repetindo o mesmo gesto que marcou sua histĂłria no Acre.
AlĂ©m da atuação ambiental espontânea, Agenor tambĂ©m teve envolvimento com a polĂtica. Em disputas eleitorais das quais participou, adotou o slogan “Agenor, o candidato do amor”, expressĂŁo pela qual ficou conhecido entre apoiadores. Apesar de nĂŁo ter sido eleito, manteve presença ativa em debates comunitários e sociais.
A morte de Agenor repercutiu entre amigos, ex-colegas de trabalho e moradores que acompanharam ou foram impactados por sua iniciativa ambiental, lembrando-o como alguém que transformou ações simples em marcas duradouras na paisagem urbana.

