O presidente-executivo da Heineken, Dolf van den Brink, renunciou ao cargo de forma inesperada nesta segunda-feira (12), após seis anos consecutivos de queda nas vendas da cervejaria holandesa. Ele deixará oficialmente a função em 31 de maio, mas permanecerá disponível como consultor por oito meses, a partir de junho.
Van den Brink assumiu o comando da segunda maior fabricante de cerveja do mundo em junho de 2020, em meio à pandemia da Covid-19, e presidiu um período considerado turbulento para a companhia. Desde então, a Heineken enfrentou forte inflação de custos, dificuldades para repassar preços ao consumidor e queda nas vendas, fatores que impactaram negativamente as margens de lucro e o desempenho das ações.
Ao anunciar a saída, o conselho de supervisão informou que iniciará imediatamente a busca por um sucessor para liderar a Heineken e marcas do portfólio como Amstel e Tiger. Segundo a empresa, a decisão ocorre poucos meses depois da definição de uma nova estratégia corporativa, apresentada em outubro, com metas estabelecidas até 2030.
Em comunicado conjunto, Van den Brink e o presidente do conselho de supervisão, Peter Wennink, afirmaram que este é o momento adequado para uma transição na liderança. “A Heineken chegou a um estágio em que uma mudança no comando servirá melhor à empresa na execução de suas ambições de longo prazo”, declarou o executivo.
O agora CEO afirmou ainda que seguirá totalmente focado na implementação da estratégia até o fim de seu mandato. “Continuo comprometido com a execução do plano definido, garantindo uma transição ordenada”, disse.
Setor pressionado e desafios futuros
A saída de Van den Brink ocorre em um momento delicado para o setor global de bebidas, que tem enfrentado dificuldades para estimular o consumo. O alto custo de vida, aliado à instabilidade econômica e política, tem pressionado o orçamento dos consumidores e limitado o crescimento das vendas.
Além disso, as cervejarias vêm lidando com fatores como condições climáticas adversas, incertezas políticas e mudanças no comportamento do consumidor. A Heineken, inclusive, ficou atrás de concorrentes em indicadores como eficiência de custos e retorno aos investidores.
O futuro CEO da companhia terá pela frente o desafio de cumprir as promessas traçadas para 2030 em um cenário marcado por volatilidade global, surgimento de novos concorrentes, avanço de medicamentos para perda de peso, que podem afetar o consumo de alimentos e bebidas, e a mudança de atitude em relação ao álcool, especialmente entre os jovens.
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