O que começou como dores intensas e dificuldade para evacuar terminou em um quadro raro e impactante. Aos 36 anos, Vitor viu o próprio abdômen aumentar de forma acelerada após passar por cirurgias de emergência, até descobrir que estava com uma hérnia abdominal de grandes proporções, que cresceu visivelmente em cerca de um mês.
Tudo teve início quando ele apresentou um quadro súbito de intestino paralisado, acompanhado de vômitos e dor intensa. Mesmo após exames iniciais, o problema não foi identificado de imediato. Apenas em um novo hospital, um raio-x revelou a causa: torção intestinal, condição grave que exige intervenção cirúrgica urgente.
A cirurgia resolveu a obstrução, mas abriu caminho para uma complicação ainda maior.

Arquivo pessoal
Abdômen aumentou rapidamente após cirurgia
Pouco tempo depois do procedimento, Vitor começou a notar algo diferente. O abdômen passou a aumentar de volume de forma progressiva. “Não sei se foi a cirurgia ou a falta de repouso adequado, mas a hérnia começou a crescer”, relata. Sem o uso de cinta abdominal no pós-operatório, o quadro se agravou rapidamente.
Em cerca de 30 dias, a hérnia já era grande, visível e causava desconforto físico e emocional. Ao procurar o médico responsável pela cirurgia, recebeu a indicação de um novo procedimento. No entanto, a operação foi adiada quatro vezes, já que o paciente apresentava quadros gripais recorrentes, o que impedia a anestesia.
Enquanto isso, o problema só avançava.
“Eu via aquilo crescer e não sabia mais o que fazer”, contou. Em novas tentativas, ouviu de um profissional que não teria condições de operar um caso tão complexo.
Caso exigiu técnica especializada
Somente após seis meses de buscas, Vitor encontrou um cirurgião disposto a assumir o desafio. O tratamento ficou sob os cuidados do especialista em hérnias Cássio Gontijo, que explica que esse tipo de complicação é relativamente comum após cirurgias feitas em caráter emergencial.

Hérnia grave na região abdominal era considerada complexa e de difícil acesso – Arquivo pessoal
“Em cirurgias abdominais de urgência, a taxa de hérnia incisional pode chegar a 30% ou até 50%”, afirma. A condição ocorre quando a musculatura abdominal não cicatriza corretamente após o corte cirúrgico, criando uma abertura na parede do abdômen.
Preparação antes da cirurgia definitiva
Devido ao tamanho e à complexidade da hérnia, o tratamento exigiu uma preparação cuidadosa. O primeiro passo foi a perda de peso, fundamental para reduzir riscos e aumentar a segurança do procedimento.
Além disso, a equipe utilizou toxina botulínica, popularmente conhecida como botox. “Ela paralisa temporariamente a musculatura abdominal, permitindo maior alongamento dos músculos e facilitando o fechamento da hérnia”, explica o médico. A aplicação foi feita cerca de um mês antes da cirurgia.
Outro recurso essencial foi o pneumoperitônio progressivo, técnica em que o ar é introduzido gradualmente na cavidade abdominal por meio de um cateter. O objetivo é adaptar o organismo, reduzir o inchaço intestinal e preparar o corpo para a reconstrução.
Técnica brasileira evitou uso de tela
Durante o procedimento, os médicos optaram por uma técnica desenvolvida no Brasil, conhecida como cirurgia de Alcino Lázaro da Silva. Nesse método, o próprio saco herniário é utilizado para reforçar a parede abdominal, dispensando o uso de telas ou próteses.
“A grande vantagem é evitar corpos estranhos no organismo, mantendo resultados semelhantes aos das técnicas tradicionais”, explica Gontijo.
A cirurgia foi bem-sucedida, e Vitor teve alta após um curto período de internação.
Recuperação e alerta
Dois meses após o procedimento, ele comemora conquistas simples, mas significativas. “Eu só queria voltar a caminhar, sair de casa e tomar banho sozinho”, afirma.
O caso chama atenção para os riscos das hérnias incisionais após cirurgias de urgência, além de reforçar a importância do diagnóstico correto, do acompanhamento médico e do uso de técnicas especializadas em quadros complexos.
Fonte: Metrópoles
✍️ Redigido por ContilNet
