Ataque dos EUA demonstra ofensiva para fortalecer a extrema-direita

Por AgĂȘncia Brasil 04/01/2026 Ă s 08:03


Logo AgĂȘncia Brasil

O ataque militar dos Estados Unidos contra a Venezuela demonstra uma ofensiva do presidente Donald Trump para fortalecer a extrema-direita transnacional na América Latina. A avaliação é da professora Clarissa Nascimento Forner, do Departamento de RelaçÔes Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).Ataque dos EUA demonstra ofensiva para fortalecer a extrema-direitaAtaque dos EUA demonstra ofensiva para fortalecer a extrema-direita

Clarissa explica que a aproximação de governos que se posicionam mais à extrema-direita já vem sendo parte do projeto do governo Trump na região. “Por outro lado, [há] uma ofensiva clara a governos que se colocam na contramão dessas ideologias de extrema-direita.”

NotĂ­cias relacionadas:

“Isso reafirma esse aspecto estratĂ©gico que a gente observa no Trumpismo, que Ă© a articulação das redes transnacionais de extrema-direita. Portanto, fortalecendo a extrema-direita na regiĂŁo e enfraquecendo possĂ­veis governos ou partidos de oposição”, explicou a professora.

Além disso, Clarissa Forner aponta que os Estados Unidos se reafirmam como um fator de instabilidade regional e global:

“Pensando no territĂłrio venezuelano, agora a tendĂȘncia Ă© que a gente observe esse cenĂĄrio de instabilidade interna necessariamente e que dificilmente vai se solucionar com um perĂ­odo de intervenção ou de administração militar pela parte norte-americana, conforme colocado pelo Trump na coletiva”, disse, ao se referir ao pronunciamento do presidente estadunidense, neste sĂĄbado (3).

Ela atribui ao governo Trump o modus operandi de produzir instabilidade como forma de viabilizar respostas que, muitas vezes, escapam à dimensão da legalidade: 

“Então [há] o próprio uso da força e esse processo de sequestro do presidente Maduro e da sua esposa como sendo um exemplo desse tipo de ação que escapa a qualquer tipo de norma de legalidade e sendo legitimada por essa ideia de que há uma crise em curso, de que há um combate ao crime.”

A instabilidade sinaliza também, segundo Clarissa Forner, a potencialidade de futuras intervençÔes por parte dos Estados Unidos.

“Fica muito em aberto, no discurso da coletiva de imprensa, que a Venezuela nĂŁo Ă© o Ășltimo caso, o Ășltimo dos ataques possĂ­veis, que hĂĄ uma perspectiva de que outros casos possam a vir  acontecer na regiĂŁo”, mencionou.

Entenda

O ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela marca um novo episĂłdio de intervençÔes diretas de Washington na AmĂ©rica Latina. A Ășltima vez que os EUA invadiram um paĂ­s latino-americano foi em 1989, no PanamĂĄ, quando os militares norte-americanos sequestraram o entĂŁo presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotrĂĄfico.

Assim como fizeram com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano De Los Soles, sem apresentar provas. Especialistas em trĂĄfico internacional de drogas questionam a existĂȘncia desse cartel.

O governo de Donald Trump estava oferecia recompensa de US$ 50 milhÔes por informaçÔes que levassem à prisão de Maduro.

Para crĂ­ticos, a ação Ă© uma medida geopolĂ­tica para afastar a Venezuela de adversĂĄrios globais dos Estados Unidos, como China e RĂșssia, alĂ©m de exercer maior controle sobre o petrĂłleo do paĂ­s, que Ă© dono das maiores reservas de Ăłleo comprovadas do planeta.

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensĂŁo de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteĂșdo de qualidade gratuitamente.