Bocalom não quer, necessariamente, uma vitória no 1º turno – a tática é outra

Desde que entrevistei o prefeito Tião Bocalom no podcast do ContilNet, o Em Cena, no início de dezembro, ficou muito claro que sua intenção principal não é vencer no primeiro turno a eleição para o Governo.

Prefeito Tião Bocalom/Foto: ContilNet

O prefeito deseja levar a disputa para o 2º turno e, se as pesquisas se confirmarem, obter o apoio de Mailza.

Isso foi confirmado nesta segunda-feira (20), quando Bocalom anunciou sua pré-candidatura, validou as demais – inclusive a de Mailza – e pontuou: “Não tem problema a direita ter mais de uma candidatura. Este é só o primeiro turno; há muita coisa pela frente. O segundo turno vem por aí e veremos no que vai dar”.

Na mesma ocasião, Bocalom citou como exemplo o que está acontecendo na direita nacional, onde vários nomes estão sendo cogitados para a disputa pela Presidência, mencionando Flávio Bolsonaro, Caiado, Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, entre outros.

Respeitar a candidatura de Mailza também é estratégico

Bocalom sabe que a eleição para o Governo terá 2º turno, principalmente pela quantidade de candidaturas já apresentadas. Portanto, validar a candidatura de Mailza não é apenas um ato de respeito (e pode ser, também, devido à relação que os dois tiveram e ao apoio que Mailza deu à sua candidatura à prefeitura).

Bocalom e Mailza/Foto: Reprodução

É, acima de tudo, uma estratégia. Ele parece intuir que, em um eventual segundo turno entre ele e Alan, é mais provável que a vice-governadora o apoie do que se junte a Alan.

Parece óbvio, mas não é

Não sei se, após todo o desgaste que o prefeito teve com o governo e com a própria Mailza ao lançar sua candidatura, esse cenário se configurará como espera Bocalom. É preciso ter calma. Mailza está acompanhando o cenário e guardando tudo direitinho na memória; foi o que me disse uma fonte ligada à vice.

Estratégia arriscada

É raro ocorrer uma virada do primeiro para o segundo turno. Se ficar em segundo lugar, como apontam as pesquisas, Bocalom precisará se esforçar para mudar o jogo, mesmo que consiga o apoio de Mailza e da máquina governista. Mas, quando se trata de arriscar em eleições, Bocalom é um profissional, e os pleitos passados demonstram isso claramente.

Bocalom pode ter candidatura rifada

Uma forte liderança que está à frente da pré-candidatura de Mailza me disse por telefone: “Você realmente acha que o senador Márcio Bittar vai aceitar essa candidatura do Bocalom pelo PL e perder o apoio do Governo? Será um tiro no pé”. Faz sentido. “Muita água ainda vai rolar por debaixo da ponte metálica”, continuou a fonte.

Gladson, Bocalom e Bittar/Foto: ContilNet

Silêncio de Bittar diz muito

Desde que Bocalom anunciou sua pré-candidatura, Bittar não se manifestou sobre o assunto. Ele deu uma pausa nas férias apenas para se juntar a políticos da direita nacional em uma caminhada de 200 km em prol da anistia dos envolvidos no ataque de 8 de janeiro.

Em outro momento, o senador afirmou que a prioridade do PL é sua reeleição no Senado. Portanto, nada está definido.

Bocalom conseguiu um feito

Mesmo com a ausência de Bittar no evento de lançamento da sua candidatura (fato que gerou inúmeras especulações e perguntas por parte da imprensa), Bocalom acertou ao reunir um grupo de empresários. A maioria tomou o microfone e declarou publicamente apoio ao prefeito. *Bola dentro!*

Mailza e Alan precisam se esforçar para conquistar uma parcela da iniciativa privada, especialmente por ser essa uma das principais bandeiras da direita liberal.

Vamos aguardar

Se Bocalom será candidato pelo PL ou por outro partido, tudo dependerá do que dirá o senador Márcio Bittar e da executiva nacional da sigla. O velho Boca afirmou que continua respeitando Bittar, independentemente de ele apoiar ou não sua pré-candidatura. Para um bom entendedor, isso também indica que sua pré-candidatura está mantida, dentro ou fora do PL. Vamos aguardar…

PUBLICIDADE