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Cão Orelha: operação cumpre mandados contra investigados por morte de cachorro

Por Redação

Uma operação da Polícia Civil de Santa Catarina cumpre, na manhã desta segunda-feira (26), três mandados de busca e apreensão contra investigados pela morte do cão comunitário Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis. A ação também apura uma denúncia de coação no curso do processo.

Segundo a Polícia Civil, as diligências têm como objetivo reunir novos elementos de prova relacionados aos crimes de maus-tratos contra animal e possível tentativa de intimidação de testemunha. Até o momento, ao menos quatro adolescentes foram identificados como suspeitos de envolvimento nas agressões que resultaram na morte do cachorro, que tinha cerca de 10 anos e era um dos mascotes da região.

Durante as investigações, surgiu a denúncia de que um policial civil, pai de um dos suspeitos, teria coagido uma testemunha. A delegada responsável pelo caso, Mardjoli Valcareggi, confirmou que a informação está sendo apurada, mas ressaltou que não há indícios de envolvimento de policial no crime em si.

Cão Orelha: operação cumpre mandados contra investigados por morte de cachorro

Orelha era um dos cães mascotes da região da Praia Brava, em Florianópolis — Foto: Reprodução/Redes sociais

Os nomes dos investigados não foram divulgados.

O que aconteceu?

De acordo com relatos de moradores, Orelha estava desaparecido há alguns dias quando uma das pessoas que cuidavam do animal o encontrou caído e agonizando durante uma caminhada. O cachorro foi recolhido e levado imediatamente a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade dos ferimentos, os profissionais optaram pela eutanásia.

Em entrevista à NSC TV, o empresário e morador da região, Silvio Gasperin, relatou com emoção os últimos momentos do animal.
“A Fátima ficou sabendo, mas não encontrou ele de imediato. Em uma caminhada, achou ele jogado e agonizando. Recolheu, levou ao veterinário… precisa de justiça, né?”, afirmou.

Moradores fazem protesto no sábado (24), após morte de cão comunitário em Florianópolis — Foto: Divulgação/Fernanda Oliveira

Moradores fazem protesto no sábado (24), após morte de cão comunitário em Florianópolis — Foto: Divulgação/Fernanda Oliveira

Quem era Orelha?

A Praia Brava abriga três casinhas destinadas a cães comunitários que se tornaram mascotes do bairro. Orelha era um deles e vivia há anos sob os cuidados espontâneos da comunidade.

O aposentado Mário Rogério Prestes contou que era o responsável por alimentar diariamente os animais.
“Muita gente vinha trazer comida, mas eu era o responsável por alimentá-los todos os dias. Eles não podiam ficar sem cuidado”, disse.

Além da convivência com moradores, Orelha interagia com outros cães do bairro. A empresária Antônia Souza, tutora da cadela Cristal, relatou que os encontros faziam parte da rotina local.
“Eles conviviam com a gente. Eles tinham uma vida na Praia Brava. Todo mundo que mora aqui sabe de quem estamos falando”, afirmou.

Em nota divulgada no dia 17, a Associação de Moradores da Praia Brava destacou o valor afetivo do animal.
“Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado espontaneamente pela comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém muito querido”, diz o comunicado.

Moradores e internautas protestam e homenageam o cão Orelha nas redes sociais — Foto: Reprodução/@floripa_estacomvcorelha, @peachzmilk

Moradores e internautas protestam e homenageam o cão Orelha nas redes sociais — Foto: Reprodução/@floripa_estacomvcorelha, @peachzmilk

Mobilização e protestos

Desde a morte do cachorro, moradores, protetores independentes, ONGs e instituições ligadas à causa animal vêm cobrando justiça. No sábado (17), ocorreu a primeira mobilização pública na Praia Brava. No último sábado (24), um novo protesto reuniu dezenas de pessoas.

Vestindo camisetas personalizadas e segurando cartazes com a frase “Justiça por Orelha”, os manifestantes caminharam pela região acompanhados de seus cães e realizaram uma oração em homenagem ao animal.

A mobilização ganhou repercussão nacional nas redes sociais com a hashtag #JustiçaPorOrelha. No domingo (25), as atrizes Heloísa Périssé e Paula Burlamaqui publicaram vídeos lamentando o caso e cobrando providências das autoridades.

As investigações seguem em andamento.

Fonte: Polícia Civil de Santa Catarina / NSC TV
✍️ Redigido por ContilNet

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