Caso Eliza Samudio: homem explica por que não entregou passaporte à polícia

Documento da modelo assassinada em 2010 foi encontrado em Portugal e entregue ao consulado brasileiro em Lisboa

O homem que encontrou o passaporte de Eliza Samudio, assassinada em 2010, em uma residência em Portugal, explicou por que decidiu procurar a imprensa antes de entregar o documento às autoridades policiais. Segundo ele, a intenção inicial sempre foi oficializar a entrega, mas temia que, caso o fizesse diretamente à polícia portuguesa, a informação não chegasse ao conhecimento do público brasileiro.

Reprodução/Redes Sociais

Em entrevista ao programa Domingo Espetacular, o homem — que preferiu não se identificar — afirmou que tentou contato com veículos de comunicação em Portugal, mas não obteve retorno. Diante disso, buscou a imprensa brasileira.
“Eu tentei com os veículos aqui de Portugal primeiro. A minha intenção sempre foi entregar à polícia. Só que, se eu entrego esse documento aqui para a polícia diretamente, vocês no Brasil não iam saber… Ninguém”, disse.

Especulações e críticas

Após a divulgação do caso, o homem passou a ser alvo de críticas, principalmente por levantar a hipótese de que Eliza Samudio pudesse estar viva, já que o corpo da modelo nunca foi encontrado. Ele afirmou, no entanto, que se tratava apenas de uma especulação momentânea.

“Eu fiquei questionando sobre o passaporte, passa na cabeça que sim [que ela poderia estar viva], mas é só especulação mesmo pelo fato de não ter corpo. A gente pode até pensar que sim. Mas era saber sobre o passaporte, como veio parar aqui”, explicou.

Entrega ao consulado

Após a repercussão, o brasileiro entregou o passaporte no Consulado do Brasil em Lisboa. Ele não informou nome nem endereço, mas afirmou que a entrega já estava previamente agendada.
Em nota, o Itamaraty confirmou que o documento será enviado ao Brasil e ficará à disposição da família de Eliza Samudio.

Detalhes do documento

O passaporte encontrado foi emitido em 9 de maio de 2006, com validade até 8 de maio de 2011. O único carimbo presente no documento indica entrada em Portugal no dia 1º de maio de 2007.

Segundo o relato, o passaporte estava guardado entre livros antigos, em uma estante no canto da sala do apartamento onde o homem aluga um quarto.
“Quando eu fui tomar banho, fui pegar uma roupa no varal e vi ali uns livros. Por curiosidade, fui ver um livro e vi o passaporte. Peguei, abri e já vi de quem se tratava. Eu já conhecia o caso”, relatou.

Advogada da família questiona

A advogada da família e madrinha de Bruninho, filho de Eliza, Maria do Carmo dos Santos, manifestou estranheza quanto ao estado de conservação do documento.
“O passaporte, vamos supor que foi perdido quase 18 anos atrás, está mais preservado do que os meus que estão na gaveta mofando… Isso é estranho”, afirmou.

Ela também criticou duramente as especulações de que Eliza pudesse estar viva.
“Cada vez que isso é mexido e são levantadas dúvidas de que foi um golpe da Eliza, é de uma covardia enorme com a mãe e com a vítima”, disse.

O caso Eliza Samudio

Eliza Samudio foi assassinada em 2010. O ex-goleiro Bruno Fernandes foi condenado por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver. Inicialmente sentenciado a 22 anos de prisão, teve a pena reduzida para 20 anos e 9 meses.

Segundo a denúncia, Bruno não aceitava pagar pensão ao filho e teria planejado o crime com a ajuda de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, apontado como executor. Ambos também foram condenados.

O corpo de Eliza Samudio nunca foi localizado. Em 28 de janeiro de 2013, a Justiça emitiu a certidão de óbito da modelo, que aponta como causa da morte asfixia mecânica com emprego de violência.


Fonte: Domingo Espetacular / Itamaraty
✍️ Redigido por ContilNet

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