A cheia atípica do Rio Acre registrada em dezembro provocou um dos cenários mais críticos dos últimos anos em Rio Branco. O avanço das águas atingiu diretamente 16 comunidades rurais da capital, afetando cerca de 4 mil moradores. Em pelo menos cinco dessas localidades, o acesso chegou a ficar completamente interrompido por vários dias, segundo a Defesa Civil Municipal.
O fenômeno chamou atenção por ocorrer em um período incomum. Desde 1975, o Rio Acre não transbordava no mês de dezembro na capital acreana. No dia 27, o nível do manancial ultrapassou a cota de alerta e, poucas horas depois, passou do limite de transbordamento, alcançando 14,03 metros. No dia seguinte, 28 de dezembro, a medição das 9h já indicava 14,94 metros.
A elevação continuou nos dias seguintes e o rio atingiu o pico de 15,41 metros na segunda-feira (29). A partir da terça-feira (30), teve início o processo de vazante. Após permanecer cinco dias acima da cota de 14 metros, o nível recuou e, na quinta-feira (1º), voltou a ficar abaixo desse patamar. No sábado (3), o Rio Acre marcou 11,94 metros em Rio Branco, mantendo tendência de redução desde então.
De acordo com o levantamento de danos realizado pela Defesa Civil, os prejuízos financeiros e ambientais já ultrapassam R$ 3 milhões. As perdas atingiram desde lavouras, como plantações de macaxeira, até residências localizadas em áreas ribeirinhas e de difícil acesso.
Com a diminuição do volume de água, as comunidades deixaram de ficar isoladas e passaram a receber assistência contínua das equipes da prefeitura. Entre os auxílios disponibilizados estão kits de limpeza e higiene, colchões, alimentos e o uso de embarcações para garantir a travessia de moradores e o transporte de veículos leves, como motocicletas e bicicletas.
As comunidades rurais impactadas pela cheia foram: Água Preta, APA do Amapá, Boa Água, Barro Alto, Vai-Se-Ver, Espalha, Bagaço, Extrema, Projeto Oriente, Colibri, Limoeiro, Catuaba, Belo Jardim 3, Panorama Ribeirinho, Vista Alegre e Liberdade.
Além da zona rural, a cheia também trouxe consequências para a área urbana. Ao todo, mais de 20 mil pessoas foram afetadas, com registro de alagamentos em 15 bairros de Rio Branco. Cerca de 300 residências ficaram inundadas e 237 moradores precisaram deixar suas casas temporariamente devido ao avanço das águas.

