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Cinema de sexta: O Homem do Futuro mostra como passado e presente dialogam em humor e fantasia

Por Fhagner Soares, ContilNet

O Homem do Futuro vai além do simples entretenimento: sua ficção científica não está no aparato tecnológico, mas na forma como o filme brinca com o tempo e com os efeitos de nossas escolhas. Zero é um personagem que carrega arrependimentos, mas a narrativa não se limita a dramatizar sua frustração, ela transforma o conflito em situações absurdas e exageradas, equilibrando humor, romance e fantasia de maneira elegante. É essa combinação que faz a experiência tão envolvente.

O Homem do Futuro vai além do simples entretenimento: É essa combinação que faz a experiência tão envolvente/ Foto: Reprodução

O filme usa o exagero como ferramenta de análise. Cada viagem no tempo de Zero evidencia não apenas a fragilidade de nossas decisões, mas também a maneira como insistimos em reinterpretar o passado, mesmo sabendo que não é possível controlá-lo. É engraçado, é leve, mas também é uma metáfora sobre culpa, oportunidade e autocompreensão. O humor surge das tentativas frustradas de corrigir erros, do absurdo das situações e do contraste entre expectativas e realidade e é justamente isso que conecta o espectador à história de maneira íntima, sem exigir reflexão pesada.

Além disso, a narrativa brinca com os clichês da ficção científica: paradoxos temporais e fórmulas de viagem no tempo existem, mas nunca dominam a história. Eles são instrumentos para explorar emoções humanas universais: amor, arrependimento e desejo de recomeço. A direção equilibra esses elementos de modo que o espectador se permite rir, torcer e se emocionar ao mesmo tempo. É uma lição sobre como a ficção pode ser divertida sem abrir mão da profundidade.

Uma narrativa brinca com os clichês da ficção científica/ Foto: Reprodução

O estilo visual reforça esse tom. O exagero das situações, a manipulação criativa do tempo e a leveza da mise-en-scène lembram que o cinema também existe para provocar prazer imediato, não apenas reflexão. O filme transforma pequenos detalhes, olhares, gestos, coincidências em momentos significativos, mostrando que a narrativa leve pode ser também sofisticada.

Estrelado por Wagner Moura e Alinne Moraes/Foto: Reprodução

No fim, O Homem do Futuro prova que ficção científica, humor e romance podem coexistir sem cair no trivial. Ele nos convida a rir do absurdo, refletir sobre nossos próprios arrependimentos e perceber que, mesmo com exageros, cinema é espaço de escapismo com sentido. É o tipo de história que nos lembra que se permitir se perder no imaginário é, muitas vezes, a forma mais eficiente de compreender a vida real.

Fhagner Soares — o cinema sob outro olhar.

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