O convite feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) integre um “Conselho de Paz” para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza colocou o presidente brasileiro diante de uma decisĂŁo politicamente sensĂvel, com potenciais custos diplomáticos.
Lula deve avaliar nos prĂłximos dias se aceita ou nĂŁo participar da iniciativa. Antes, porĂ©m, deverá observar, junto com seus auxiliares, os impactos geopolĂticos de uma eventual participação, bem como pedir mais informações sobre a atuação do grupo liderado pelos EUA.
O governo brasileiro sĂł deve se manifestar oficialmente sobre o “Conselho de Paz” apĂłs Lula definir se aceitará o convite, justamente diante do histĂłrico de crĂticas do presidente Ă condução da ofensiva militar de Israel em Gaza e da posição tradicional do Brasil em defesa da mediação de conflitos por meio da ONU (Organização das Nações Unidas).
A carta-convite de Trump foi enviada diretamente a Lula por meio da Embaixada brasileira em Washington, na tarde de sexta-feira (16). A iniciativa prevê a criação de um conselho que supervisionará a reconstrução da Faixa de Gaza sob liderança dos Estados Unidos, principal aliado do governo israelense.
A proposta de Trump exigirá um cálculo geopolĂtico de Lula para aceitá-la ou nĂŁo. O presidente brasileiro, desde o inĂcio da guerra entre Israel e o Hamas, em outubro de 2023, tem adotado posição crĂtica Ă ofensiva militar no territĂłrio e defendido a criação de um Estado palestino.
Os Estados Unidos são aliados de Israel e, portanto, caso aceite o convite de Trump, o presidente brasileiro poderá ser cobrado por incoerência.
Em discursos, entrevistas e pronunciamentos na Assembleia Geral da ONU, Lula chegou a classificar a situação em Gaza como “genocĂdio”, posição que aprofundou o desgaste com o governo israelense. Em fevereiro de 2024, Israel declarou o presidente brasileiro persona non grata apĂłs ele comparar a ação militar em Gaza ao Holocausto.
Além de Lula, o presidente da Argentina, Javier Milei, confirmou ter sido convidado para integrar o conselho e afirmou que será “uma honra” participar da iniciativa.
Trump anunciou oficialmente o “Conselho de Paz” na última sexta-feira (16). O chamado “Conselho Executivo Fundador” incluirá o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, o genro do presidente, Jared Kushner, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
A Casa Branca também divulgou a formação de um comitê de tecnocratas palestinos que governariam Gaza como parte do acordo mediado pelos Estados Unidos.
Neste sábado (17), o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o anĂşncio feito pelo governo Trump nĂŁo foi coordenado com Israel e contraria a polĂtica do governo israelense. Segundo autoridades locais, o chanceler Gideon Saar deve tratar do tema diretamente com Marco Rubio.


