Filho de diarista, ex-garçom e hoje diplomata. Essa é a trajetória de Douglas Rocha Almeida, de 31 anos, o mais novo terceiro-secretário da carreira diplomática do quadro permanente do Ministério das Relações Exteriores. Nomeado em dezembro pelo chanceler Mauro Vieira, Douglas tomará posse no próximo dia 20 de janeiro, em Brasília.
Nascido na capital federal, mas criado em Luziânia (GO), no Entorno do DF, ele venceu uma concorrência de 8.861 inscritos para apenas 50 vagas — cerca de 177 candidatos por oportunidade. “Quando vi meu nome no Diário Oficial, surtei de felicidade. Foi a confirmação de anos de sacrifício”, relembra.
Arquivo Pessoal
Trabalho duro desde cedo
De origem humilde, Douglas começou a trabalhar aos 15 anos. Entre os 15 e os 27, foi garçom em restaurantes, festas infantis e eventos, inclusive durante o mestrado. A mãe, Cida, mineira que saiu de São Francisco (MG) ainda adolescente para trabalhar como doméstica em Brasília, é diarista até hoje.
“Um dos motivos de eu ter estudado para esse concurso é para que ela possa parar de trabalhar como empregada doméstica. É um trabalho digno, mas pesado para quem convive com problemas de saúde”, diz. O sonho seguinte é garantir renda própria para a mãe com um espaço de eventos.
Formação e virada de chave
Douglas se formou em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Brasília com bolsa integral do Programa Universidade para Todos (ProUni), cursou Letras Espanhol na Universidade de Brasília e concluiu mestrado na Escola Superior de Guerra. A decisão definitiva pela diplomacia veio após a morte da irmã, Thayná, em 2017.
“Ali nasceu a diplomacia como projeto de vida. Comecei a estudar de verdade em 2021, após o mestrado”, conta. Foram quatro anos e meio de preparação “aos trancos e barrancos”, com rotina de trabalho e ao menos três horas líquidas de estudo por dia.
Em 2023, recebeu a bolsa-prêmio de vocação para a diplomacia do Instituto Rio Branco, que ofereceu suporte financeiro decisivo para cursos e professores.
Vida pessoal e apoio
Mesmo com a rotina intensa, Douglas preservou a saúde mental: viajou com a mãe para conhecer o mar, manteve passeios simples e consolidou o relacionamento com a jornalista Hellen Leite, com quem se casou após a homologação do concurso. “Ela sofreu com a distância, mas sempre acreditou”, afirma.
Conselho a quem sonha alto
Para jovens de origem humilde, Douglas deixa um recado: políticas públicas e esforço individual caminham juntos. “Estudei sempre em escola pública, aprendi idiomas no CIL, fui bolsista do ProUni. Houve suor e lágrimas, mas hoje elas alimentam um espírito que quer servir melhor ao Brasil.”
A posse ocorrerá no auditório do Instituto Rio Branco. Por limitação de espaço, ele levará apenas duas pessoas: a mãe e a esposa. “Nunca tive dúvida de quem estaria comigo nesse momento.”
Fonte: Correio Braziliense
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