Alguns filmes não precisam ser longos para deixar marca, outros usam horas para construir mundos complexos. E o público reage de formas completamente diferentes. Uns se encantam pelo suspense imediato; outros reclamam da falta de explicações ou de camadas mais profundas. Filmes como Garota Exemplar, Blade Runner e O Mundo Depois de Nós são ótimos exemplos dessa discussão: obras que prendem e provocam reflexão, mas que nem todos vão consumir da mesma forma.
Garota Exemplar/ Foto: Reprodução
Garota Exemplar (2014) de David Fincher é um thriller psicológico que combina tensão, manipulação e narrativa não linear. Para quem gosta de ser surpreendido, cada reviravolta mantém a atenção e cria debates sobre moralidade, percepção e confiança. Para quem prefere histórias mais lineares, o filme pode gerar frustração: a sensação de que as perguntas são mais provocativas do que respondidas.
Blade Runner (1982, Ridley Scott) é outro exemplo clássico de como o cinema pode equilibrar narrativa e reflexão. A trama longa, com ritmo deliberado, constrói um mundo distópico e filosófico, abordando identidade, memória e humanidade. Alguns espectadores se apaixonam pela profundidade e estética; outros podem se sentir desafiados pelo ritmo lento e pela ausência de respostas definitivas, exatamente o ponto que transforma o filme em objeto de debate contínuo.
Blade Runner/ Foto: Reprodução
Por fim, O Mundo Depois de Nós (2023) mistura drama e suspense com uma pegada mais contemporânea e curta duração. O filme deixa várias questões no ar sobre relações humanas e escolhas em contextos extremos. Quem se deixa levar pelo clima tenso e pelas interpretações implícitas se envolve plenamente; quem busca respostas claras pode se sentir desconfortável, mas ainda assim é arrastado pela curiosidade até o fim.
O Mundo Depois de Nós/ Foto: Reprodução
A conclusão é clara: a experiência cinematográfica é subjetiva. Filmes curtos ou longos, diretos ou complexos, provocam reflexão ou entretenimento imediato dependendo do espectador e isso é exatamente o que mantém o debate vivo.
O cinema não precisa agradar a todos ao mesmo tempo. Filmes como esses nos lembram que há espaço tanto para quem busca intensidade e suspense quanto para quem procura mergulho profundo e questionamentos existenciais. A ironia é que a diversidade de ritmo, narrativa e estilo é justamente o que faz o cinema sempre interessante, provocando prazer, frustração e debate na mesma medida.
No fim, o valor do cinema está na reação que desperta: alguém sai empolgado, outro frustrado, e ambos discutem, interpretam e refletem. Entre thrillers psicológicos, distopias e dramas contemporâneos, há sempre espaço para quem gosta, quem não gosta e para todos que querem pensar enquanto assistem. É nesse espaço de debate e curiosidade que o cinema mostra sua força.
Fhagner Soares, o cinema sob outro olhar.
