Um problema de saúde pouco associado à região Norte tem aparecido com frequência em exames de rotina: a gordura no fígado em pessoas que não consomem álcool. O alerta, feito nas redes sociais, é da enfermeira do Acre Asheley Marques, que acompanha de perto diagnósticos recorrentes de esteatose hepática em pacientes do Norte do país, muitos deles sem histórico de bebida alcoólica, mas com hábitos alimentares marcados pelo alto consumo de carboidratos.
Segundo Asheley, ainda é comum relacionar a doença apenas ao álcool. “Na maioria das vezes, a gente associa a esteatose hepática só ao consumo de álcool ou de comidas gordurosas, mas nem sempre é assim”, explica. Ela destaca que grande parte dos casos observados na região se enquadra na Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA), caracterizada pela presença de gordura no fígado sem consumo excessivo de álcool.
Problema se dá em decorrência do excesso de carboidrato, diz enfermeira. Foto: Reprodução/Redes sociais
A enfermeira aponta que o padrão alimentar típico do Norte ajuda a explicar o cenário. “A esteatose hepática está altamente associada ao consumo de carboidratos. E o que a gente consome muito aqui no Norte? Farinha, macaxeira, arroz”, afirma. De acordo com ela, o risco aumenta quando esses alimentos são consumidos juntos e diariamente, prática comum em muitas famílias da região.
Morando no Acre, estudante de enfermagem e atuando em uma clínica de ultrassonografia, Asheley relata que os diagnósticos são frequentes. “O que não falta por aqui é diagnóstico de esteatose hepática. A grande maioria das pessoas não consome álcool, é só farinha e arroz”, conta.
Alimentação nortista é rica em carboidrato, o que caracteriza um problema na região, diz Asheley. Foto: Reprodução
Ela também chama atenção para o tempo de evolução da doença. “O mais preocupante não é o grau da esteatose, mas quanto tempo a pessoa permanece naquele grau”, alerta, lembrando que a condição pode evoluir de forma silenciosa se não houver mudança de hábitos.
Como forma de prevenção, a enfermeira reforça a importância da atividade física e do equilíbrio alimentar. “A melhor opção para fugir da esteatose é praticar exercício físico e ter cuidado com o consumo de carboidratos e doces”, orienta. “Isso é algo que eu vejo todos os dias na clínica”, resume Asheley Marques
