Famílias aguardam memorial da Boate Kiss 13 anos após tragédia

Obras foram retomadas e novo prazo de entrega Ă© junho de 2026

Por Redação 27/01/2026

O incĂȘndio da Boate Kiss, em Santa Maria, completa 13 anos nesta terça-feira (27/1). Desde a tragĂ©dia que marcou o paĂ­s, familiares das vĂ­timas mantĂȘm vigĂ­lias em frente ao local onde funcionava a casa noturna — primeiro entre ruĂ­nas, agora diante dos tapumes que cercam as obras do memorial em homenagem Ă s 242 vĂ­timas.

A construção do memorial teve início em julho de 2024, com expectativa inicial de conclusão em 2025. No entanto, o cronograma precisou ser revisto após ajustes no projeto, jå que os limites reais do terreno eram menores do que os previstos originalmente. Com isso, as obras ficaram paralisadas entre fevereiro e dezembro de 2025.

Boate Kiss

Reprodução/ Laurent Keller

Para viabilizar a retomada, a Prefeitura de Santa Maria incluiu intervençÔes estruturais, como drenagem para ĂĄguas pluviais, aterros controlados e regularização do solo. O projeto tambĂ©m passou por reclassificação no Plano de Prevenção e Proteção Contra IncĂȘndio (PPCI), apĂłs decisĂŁo da Associação dos Familiares de VĂ­timas e Sobreviventes da TragĂ©dia de Santa Maria de permitir a futura locação do espaço para atividades culturais e educativas.

Essa mudança exigiu novas medidas de segurança, incluindo a construção de um corredor lateral com ventilação mecùnica forçada, garantindo uma segunda rota de fuga conforme exigido pelo Corpo de Bombeiros Militar. Com o retorno das obras no fim de 2025, o novo prazo de entrega foi fixado para junho de 2026.

Tragédia que deixou 242 mortos

O incĂȘndio na Boate Kiss, em 2013, deixou 242 mortos e mais de 600 feridos. O fogo começou apĂłs um integrante da banda Gurizada Fandangueira acender um artefato pirotĂ©cnico no interior da boate. As chamas atingiram o teto e se espalharam rapidamente pela espuma altamente tĂłxica usada no revestimento acĂșstico.

A demora na construção do memorial se soma Ă  longa espera por justiça. O julgamento ocorreu apenas em 2021, oito anos apĂłs o incĂȘndio. As condenaçÔes foram anuladas pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, levando o caso ao Supremo Tribunal Federal. Em setembro de 2024, o ministro Dias Toffoli derrubou a anulação, fazendo com que as condenaçÔes voltassem a valer, ainda que com penas reduzidas.

Para Marines Barcellos, mĂŁe de uma das vĂ­timas, o sentimento Ă© de exaustĂŁo. “A gente queria descansar. Parece que estamos batendo em uma pedra. Demorou para ter o julgamento e agora demora para ter o memorial”, desabafa.

Como serĂĄ o memorial

O memorial contarĂĄ com um jardim circular composto por 242 pilares de madeira, cada um com o nome de uma vĂ­tima. O espaço terĂĄ ainda salas para exposiçÔes, auditĂłrio, ĂĄrea multiĂșso, banheiros, ĂĄrea tĂ©cnica, varanda e jardim, totalizando 383,65 mÂČ de ĂĄrea construĂ­da em um Ășnico pavimento. A estrutura serĂĄ feita com concreto armado e madeira laminada colada (MLC).

Para as famĂ­lias, a conclusĂŁo do memorial vai alĂ©m da obra fĂ­sica. “As memĂłrias precisam estar ali para nĂŁo deixar a histĂłria morrer e para ajudar na prevenção de novas tragĂ©dias”, afirma FlĂĄvio Silva, pai de uma das vĂ­timas e presidente da AVTSM.

Fonte: Prefeitura de Santa Maria / AVTSM / MetrĂłpoles
✍ Redigido por ContilNet

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