Guerra de facçÔes foi a causa de quase metade dos homicídios no Acre em 2025

Dados mostram redução entre 2023 e 2025, mas violĂȘncia permanece concentrada na capital

Por Geovany CalegĂĄrio, ContilNet 03/01/2026 Atualizado: hĂĄ 3 meses

A violĂȘncia que nasce nas disputas entre facçÔes criminosas continua deixando marcas profundas no Acre. Em becos, ruas e periferias, conflitos que se arrastam silenciosamente ao longo dos anos seguem transformando estatĂ­sticas em histĂłrias interrompidas. Em 2025, esse cenĂĄrio voltou a se refletir nos nĂșmeros oficiais da segurança pĂșblica do estado.

Dados do Departamento de InteligĂȘncia da PolĂ­cia Civil do Acre, por meio da Coordenação de Dados EstatĂ­sticos, apontam que, dos 134 homicĂ­dios registrados no estado ao longo de 2025, 62 tiveram origem em conflitos entre facçÔes criminosas. Embora o nĂșmero represente uma redução em relação aos anos anteriores, a presença constante desse tipo de crime evidencia que a disputa por territĂłrio e poder ainda ocupa um lugar central na dinĂąmica da violĂȘncia letal no estado.

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Dados mostram redução entre 2023 e 2025, mas violĂȘncia permanece concentrada na capital/Foto: Reprodução

A anĂĄlise comparativa com 2024 e 2023 mostra uma queda gradual nas mortes associadas a esses confrontos, mas tambĂ©m revela a permanĂȘncia de um padrĂŁo: a concentração dos casos em ĂĄreas urbanas estratĂ©gicas, sobretudo na capital, e o impacto contĂ­nuo sobre comunidades jĂĄ vulnerĂĄveis, onde o conflito armado entre grupos criminosos se impĂ”e como uma realidade cotidiana.

Entre as vĂ­timas de homicĂ­dios relacionados a conflitos de facção em 2025, 60 eram homens e duas mulheres. A capital Rio Branco concentrou a maior parte desses crimes, com 38 casos. No interior, Cruzeiro do Sul apareceu em seguida, com nove registros, enquanto EpitaciolĂąndia contabilizou cinco casos. Outros municĂ­pios como MĂąncio Lima, com dois homicĂ­dios, alĂ©m de registros isolados em FeijĂł, BrasilĂ©ia, TarauacĂĄ, Marechal Thaumaturgo e Rodrigues Alves, demonstram a dispersĂŁo territorial da violĂȘncia ligada a esses confrontos.

Os dados também revelam o acesso dessas organizaçÔes a armamentos, pois faz parte do modos operandi do crime, jå que das 62 mortes relacionadas a conflitos de facção, 49 foram provocadas por disparos de arma de fogo.

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Dados de 2025 segundo a Polícia Civil/Foto: Reprodução

O comparativo com 2024 mostra que, naquele ano, o Acre contabilizou 156 homicĂ­dios, sendo 66 ligados a disputas entre facçÔes criminosas. Na ocasiĂŁo, todas as vĂ­timas desse tipo de crime eram homens, o que evidencia a predominĂąncia masculina nesse recorte da violĂȘncia.

Ainda em 2024, Rio Branco voltou a concentrar a maior parte dos casos, com 42 homicĂ­dios relacionados a facçÔes. BrasilĂ©ia teve seis registros, enquanto FeijĂł e Cruzeiro do Sul contabilizaram quatro cada. TambĂ©m houve ocorrĂȘncias em Assis Brasil, TarauacĂĄ, Bujari, Sena Madureira, MĂąncio Lima e Porto Acre.

Assim como no ano seguinte, as armas de fogo foram o principal meio utilizado nos homicĂ­dios ligados a facçÔes em 2024. Das 66 mortes registradas naquele ano, 53 ocorreram em decorrĂȘncia de disparos, segundo o levantamento da PolĂ­cia Civil.

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Dados de 2024 segundo a Polícia Civil/Foto: Reprodução

O ano de 2023 apresentou o cenĂĄrio mais grave do perĂ­odo analisado. Naquele ano, o Acre registrou 179 homicĂ­dios, dos quais 88 foram classificados como decorrentes de conflitos entre facçÔes criminosas, o maior nĂșmero da sĂ©rie histĂłrica.

Desse total, 74 mortes foram causadas por armas de fogo. As vĂ­timas eram majoritariamente homens, somando 85 casos, alĂ©m de trĂȘs mulheres. Mais uma vez, Rio Branco concentrou a maior parte das ocorrĂȘncias, com 68 dessas mortes, seguida por Cruzeiro do Sul e outros municĂ­pios do interior.

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Dados de 2023 segundo a Polícia Civil/Foto: Reprodução

A leitura dos dados de 2023 a 2025 aponta uma redução gradual das mortes associadas a conflitos de facção no Acre. Ainda assim, os nĂșmeros evidenciam que a violĂȘncia ligada a disputas criminosas permanece como um desafio estrutural, sobretudo em territĂłrios onde o poder das armas segue impondo medo, silĂȘncio e perdas constantes Ă  população.

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