Passar horas sentado virou rotina para muita gente. Trabalho no computador, trânsito, estudo, jogos, maratona de séries. O problema é que o corpo cobra a conta quando a coluna fica na mesma posição por muito tempo.
A hérnia de disco pode aparecer ou piorar nesse cenário, e o mais perigoso é que muita gente ignora os sinais no começo, achando que é só cansaço ou postura ruim de um dia.
O disco é como uma almofada entre as vértebras. Ele ajuda a amortecer impactos e dá mobilidade. Quando existe sobrecarga repetida, pouco movimento e fraqueza de musculatura de suporte, o disco pode sofrer com microlesões e perder parte da sua função.
Com o tempo, pode ocorrer um abaulamento ou uma hérnia, que pode irritar nervos e causar sintomas que vão além da dor local. Por isso, não é um tema para empurrar com a barriga.

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Tem um detalhe que engana: nem toda hérnia de disco dá um “estalo” de dor intensa. Muitas vezes começa com incômodos discretos, que vão e voltam, até virar algo mais constante.
A pessoa se acostuma, muda o jeito de sentar, evita pegar peso, para de fazer atividades que antes eram simples. Quando percebe, já está limitando a vida por causa da coluna, sem ter feito uma checagem adequada.
Por que ficar sentado pode piorar a coluna
Ficar sentado não é, por si só, um vilão. O problema é o tempo longo na mesma posição e o jeito como a maioria senta. Quadril “travado”, barriga relaxada, ombros caídos e pescoço para frente.
Nessa postura, a lombar costuma perder a curvatura natural e a pressão nos discos aumenta. Quando isso se repete diariamente, o corpo vai se adaptando para pior.
Outro ponto é o sedentarismo. Quem passa o dia sentado costuma se mexer menos, e a musculatura que ajuda a estabilizar a coluna fica fraca.
Sem suporte muscular, a coluna vira a principal “estrutura de sustentação” durante tarefas simples: levantar da cadeira, carregar sacola, pegar uma criança no colo, subir escada. A carga se concentra onde não deveria.
Tem também o efeito da falta de pausas. Movimento é como lubrificante para as articulações e como “respiração” para a coluna.
Quando você alterna posições, caminha um pouco e alonga de leve, o corpo distribui melhor o esforço. Quando você passa horas travado, a sobrecarga fica sempre no mesmo ponto.
Sinais ignorados que merecem atenção
Nem sempre é fácil separar uma dor comum de algo que merece investigação. Mesmo assim, alguns sinais são bem típicos e costumam ser minimizados. Se você reconhece mais de um deles, vale olhar com mais carinho para a coluna.
- Dor que não some: incômodo na lombar ou no pescoço que dura semanas, mesmo com descanso.
- Dor que desce para o braço ou perna: pode vir com queimação, fisgada ou sensação elétrica.
- Formigamento ou dormência: principalmente em mão, dedos, nádega, coxa, panturrilha ou pé.
- Perda de força: dificuldade para segurar objetos, subir escadas ou ficar na ponta do pé.
- Travamento ao levantar: sensação de coluna “presa” ao sair da cama ou da cadeira.
- Piora ao sentar: dor que aumenta no escritório ou no carro e melhora quando você anda um pouco.
Uma dica prática: observe padrões. Se o incômodo sempre aparece depois de horas sentado, se piora ao dirigir, se melhora com caminhada leve, isso já dá pistas. Mesmo quando a dor “muda de lado” ou some por alguns dias, o problema pode continuar ali, só esperando mais um gatilho.
O que muita gente faz e acaba piorando
Quando a coluna incomoda, é comum tentar resolver do jeito mais rápido. Só que algumas atitudes atrapalham, porque mexem no sintoma e não na causa.
- Ficar parado por medo: repouso total por muitos dias pode enfraquecer mais o corpo.
- Alongar forte na crise: puxar demais pode irritar ainda mais o nervo em alguns casos.
- Forçar treino sem ajuste: continuar com exercícios que aumentam dor por teimosia costuma piorar.
- Ignorar o ajuste da cadeira: a dor volta todo dia se o ambiente continua do mesmo jeito.
O caminho costuma ser outro: reduzir gatilhos, melhorar o apoio da musculatura, corrigir hábitos e, quando necessário, investigar com exame e avaliação clínica para entender exatamente o que está acontecendo.
Pequenas mudanças no dia a dia que protegem a coluna
Você não precisa virar atleta para cuidar da coluna. Mudanças simples e constantes já fazem diferença, principalmente para quem fica sentado o dia todo.
- Pausa curta a cada 40 a 60 minutos: levante, caminhe pela sala, mexa os ombros e o quadril.
- Apoio lombar: uma almofada pequena ou toalha enrolada atrás da lombar ajuda muito.
- Tela na altura dos olhos: evita jogar o pescoço para frente, o que sobrecarrega a cervical.
- Pés bem apoiados: se não alcançam o chão, use um apoio para não “pendurar” as pernas.
- Fortalecimento leve e consistente: exercícios guiados para core, glúteos e costas.
- Caminhada regular: é simples, acessível e costuma ajudar na dor e na rigidez.
Se você trabalha em casa, faça um teste rápido: sente-se por um minuto e perceba onde está o peso. Quando a maior parte do peso fica no cóccix e você “derrete” na cadeira, a coluna costuma reclamar. Ajuste o encosto, aproxime a cadeira da mesa e mantenha o corpo mais alinhado, sem tensão exagerada.
Quando procurar avaliação e com quem falar
Se os sintomas estão frequentes, se existe dor irradiando para braço ou perna, se há formigamento, dormência ou perda de força, o ideal é buscar avaliação. Um exame físico bem feito e uma conversa detalhada sobre sua rotina ajudam a direcionar o diagnóstico e evitar tratamentos aleatórios.
Em casos persistentes, vale conversar com um ortopedista de coluna, que pode analisar sinais, pedir exames quando realmente fazem sentido e orientar o melhor caminho. Nem todo caso precisa de cirurgia, e muita gente melhora com estratégias bem ajustadas, quando o problema é identificado cedo.
Como é a investigação e por que nem tudo é hérnia
Tem dor nas costas que parece hérnia, mas não é. Pode ser contratura muscular, inflamação de articulação, sobrecarga por postura, falta de mobilidade de quadril, estresse acumulado, entre outras causas. Por isso, tratar por conta própria com base em “achei que era isso” costuma dar errado.
Quando existe suspeita de compressão nervosa, exames como ressonância podem ajudar. Só que o exame não é sentença. Muita gente tem alteração no exame e não sente nada, enquanto outras pessoas têm sintomas fortes com alterações menores. O que manda é a combinação de queixa, exame físico e histórico.
Rotina sentada e hérnia: dá para virar o jogo
Se você passa o dia sentado, a notícia boa é que dá para reduzir muito o risco com hábitos consistentes. O objetivo não é ter postura “perfeita” o tempo inteiro, e sim variar posições, fortalecer o corpo e não ignorar sinais que se repetem. Coluna gosta de movimento inteligente, não de rigidez.
Se a dor já virou parte do seu dia, não normalize isso. Uma avaliação com médico de coluna pode esclarecer o que está por trás do incômodo e ajudar você a retomar atividades comuns sem medo. Quanto mais cedo você cuida, maior a chance de resolver com medidas simples e evitar que a dor vire rotina.
No fim, a hérnia de disco não aparece do nada. Ela costuma ser a soma de pequenas escolhas repetidas por muito tempo: ficar travado na cadeira, não se mexer, não fortalecer o corpo, insistir em hábitos que irritam a coluna.
Trocar poucas peças desse quebra-cabeça já muda bastante o resultado. E a coluna agradece em silêncio, na forma de uma vida mais leve, com menos limitações.
