Em nova nota enviada à imprensa, o Hospital Anchieta afirmou que o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, agiu de maneira intencional e criminosa nas mortes de três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). O profissional de saúde é apontado como o principal suspeito pela Polícia Civil do DF (PCDF).
Um dos momentos registrados/ Foto: Reprodução
“No caso em apuração, o principal suspeito agiu de maneira intencional e criminosa, dissimulando condutas, burlando controles e violando conscientemente barreiras de segurança existentes – inclusive mecanismos de supervisão e dupla checagem –, com o objetivo deliberado de cometer o crime”, afirmou o hospital.
O hospital também afirmou que dispõe de câmeras de monitoramento instaladas em todos os 100 leitos das Unidades de Terapia Intensiva (UTI). “Esse sistema de vigilância, que atua como uma barreira de segurança adicional, não apenas aprimora o monitoramento contínuo da assistência, mas também, no caso em questão, se revelou um instrumento crucial para a rápida identificação da ação criminosa deliberada cometida pelo investigado e, inclusive, as condutas omissivas de outros envolvidos”, destacou.
A nota (leia a íntegra abaixo) também pontua que “os sistemas de segurança na área da saúde são concebidos para reduzir riscos e prevenir falhas humanas não intencionais, e não para impedir atos criminosos dolosos praticados de forma deliberada por pessoas mal intencionadas”.
As imagens divulgadas em primeira mão pelo Metrópoles serão essenciais para o fechamento do inquérito que apura três mortes de pacientes. Os homicídios investigados ocorreram nos dias 17 de novembro e 1º de dezembro de 2025 e são atribuídos, pela polícia, a técnicos de enfermagem que trabalhavam na unidade de saúde enquanto os pacientes estavam internados.
Os técnicos suspeitos de serem os responsáveis pelas mortes são Marcos Vinícius Silva Barbosa, 24 anos, tido pela polícia como mentor dos crimes; Amanda Rodrigues de Sousa, 28; e Marcela Camilly Alves da Silva, 22. Eles foram presos pela Polícia Civil do Distrito Federal durante a operação Anúbis.
Imagens obtidas em primeira mão pelo Metrópoles mostra o trio na UTI do Hospital Anchieta manipulando medicamentos e fazendo aplicações nos pacientes.
As vítimas foram identificadas como João Clemente Pereira, 63; Marcos Moreira, 33; e Miranilde Pereira da Silva, 75.
Entenda o caso
- O caso foi denunciado à polícia pelo próprio Hospital Anchieta, após observar circunstâncias atípicas relacionadas aos três pacientes supracitados. “O hospital instaurou investigação, por iniciativa própria”, afirmou a instituição em nota.
- A primeira fase da Operação Anúbis foi deflagrada pela PCDF na manhã de 11 de janeiro.
- Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente por ordem judicial. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do DF.
- Durante as diligências, os policiais recolheram materiais considerados relevantes para a apuração, que passaram a ser analisados pelos investigadores.
- A polícia busca esclarecer a dinâmica das mortes, o papel de cada suspeito e a possível participação de outras pessoas.
- As investigações tiveram novo avanço na última quinta-feira (15/1), com a segunda fase da Operação Anúbis.
- Nesta etapa, a Polícia Civil cumpriu mais um mandado de prisão temporária contra uma investigada e realizou novas apreensões de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.
Mortes registradas durante plantões dos técnicos de enfermagem presos serão investigadas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
Outro lado
O advogado Marcus Martins, que defende o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo (foto em destaque), 24 anos, ressaltou que os fatos “estão sendo apurados exclusivamente em sede de inquérito policial” e que, por isso, não há conclusão sobre as denúncias.
“Ressalta-se que não há sentença condenatória, tampouco pronunciamento judicial que reconheça a prática de crime por parte do investigado”, declara. O advogado afirma ainda que “informações divulgadas acerca da vida pessoal do investigado são inverídicas”.
O advogado Liomar Torres, que faz a defesa da técnica de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, presa por suspeita de matar pacientes, disse que Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, tentou assassiná-la enquanto ela se recuperava de uma cirurgia bariátrica no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).
O advogado que faz a defesa de Amanda também informou que ela disse que não participou nem tinha conhecimento dos crimes e que não estaria trabalhando no dia da morte do carteiro Marcos Raymundo, de 33 anos.
O Escritório Luís Alexandre Rassi e a advogada Viviane Ferreira Silva Oliveira afirmam que tem convicção na inocência de Marcela Camilly, de 22 anos. “Naturalmente, diante de uma imagem gravada, é correto afirmar ter visto um técnico de enfermagem aplicar uma injeção; há, porém, um longo caminho até concluir que ela anuiu, participou ou permitiu a morte daquelas pessoas”.
A defesa da técnica lamentou também a morte das vítimas e diz que confiam que “a verdade e dignidade serão estabelecidas”.
Confira a nota do Hospital Anchieta na íntegra neste domingo (25/1):
O Hospital Anchieta vem a público prestar novos esclarecimentos sobre o caso atualmente sob investigação das autoridades policiais, reafirmando seu compromisso com a transparência, a segurança dos pacientes e a atuação ética e responsável com que sempre pautou sua conduta ao longo de seus mais de 30 anos de história.Desde a identificação, pelo próprio hospital, de indícios de comportamentos atípicos relacionados com três óbitos ocorridos na instituição, o Hospital Anchieta atuou de forma proativa, responsável e corajosa, promovendo apuração interna rigorosa e provocando a atuação das autoridades policiais ao comunicar imediatamente tais fatos à Polícia Civil do Distrito Federal para as devidas responsabilizações. O Hospital segue inclusive colaborando e fornecendo todos os subsídios necessários às autoridades competentes para a devida apuração dos fatos que envolvem esse lamentável episódio, do qual o hospital também foi vítima.
O Hospital Anchieta se solidariza com os familiares das vítimas e repudia veementemente os atos criminosos investigados. A instituição também esclarece que esse episódio, de natureza DOLOSA, INTENCIONAL e ISOLADA, não reflete o trabalho incansável, ético e comprometido dos profissionais de saúde nem a trajetória de responsabilidade assistencial construída pela instituição ao longo de mais de 30 anos, dedicada a cuidar da vida das pessoas. Trata-se de uma conduta individual de criminosos, praticada à revelia do Hospital, dos valores da medicina e da assistência em saúde, que foi rapidamente identificada pelo próprio Hospital, investigada e neutralizada, com o imediato acionamento das autoridades competentes .
Cumpre lembrar que a atuação célere do Hospital Anchieta foi decisiva para a interrupção de uma ação criminosa, que desembocou na prisão rápida dos envolvidos, uma vez que o principal suspeito exercia atividades profissionais em outras empresas de saúde, o que poderia estender ainda mais os danos já ocasionados, se não estancados como foram .
É importante esclarecer que os sistemas de segurança na área da saúde são concebidos para reduzir riscos e prevenir falhas humanas não intencionais, e não para impedir atos criminosos dolosos praticados de forma deliberada por pessoas mal-intencionadas. No caso em apuração, o principal suspeito agiu de maneira intencional e criminosa, dissimulando condutas, burlando controles e violando conscientemente barreiras de segurança existentes – inclusive mecanismos de supervisão e dupla checagem –, com o objetivo deliberado de cometer o crime.
É fundamental ressaltar que a instituição mantém, há mais de 18 anos, uma Comissão Técnica Multiprofissional (composta por auditores internos, médicos, enfermeiros, farmacêuticos e fisioterapeutas, além de membros ad hoc) que se reúne semanalmente para analisar 100% dos óbitos ocorridos na unidade de saúde, avaliando a evolução clínica dos casos e encaminhando eventuais achados ao Núcleo de Segurança do Paciente para uma análise abrangente dos fatores contribuintes. Essa estrutura de governança clínica representa uma camada vital de segurança, focada na melhoria contínua da qualidade e na detecção de desvios. E foi justamente em razão da existência desse mecanismo permanente de controle e governança clínica que rapidamente foi detectada a existência de uma conduta individual, dolosa e intencional , totalmente incompatível e que não guarda nenhuma relação com os protocolos assistenciais .
Além disso, o Hospital Anchieta investe significativamente em tecnologia para a segurança do paciente, dispondo de câmeras de monitoramento instaladas em todos os 100 leitos de suas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) . Esse sistema de vigilância, que atua como uma barreira de segurança adicional, não apenas aprimora o monitoramento contínuo da assistência, mas também, no caso em questão, se revelou um instrumento crucial para a rápida identificação da ação criminosa deliberada cometida pelo investigado e, inclusive, as condutas omissivas de outros envolvidos.
A captação de provas inequívocas por meio desses recursos foi fundamental para subsidiar e acelerar a pronta intervenção das autoridades policiais, impedindo a continuidade de um ciclo que poderia ter causado danos ainda maiores, corroborando a eficácia dos sistemas de segurança do Hospital em situações extremas .
Para reforçar nosso compromisso contínuo com a excelência e a segurança, é imperioso destacar que o Hospital Anchieta possui certificações de reconhecimento internacional e nacional, como o prestigiado Gold Seal of Approval, da Joint Commission International (JCI), e a Acreditação ONA Nível 3 – Excelência, o selo máximo de qualidade hospitalar concedido no Brasil. Essas certificações atestam a adoção de padrões rigorosos de qualidade e segurança do paciente em todas as nossas práticas assistenciais e processos internos.Adicionalmente, o Hospital mantém, há mais de cinco anos consecutivos, a certificação UTI Top Performer, concedida pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), em parceria com a Epimed . Este é um reconhecimento de grande relevância, atribuído às Unidades de Terapia Intensiva que demonstram os melhores desfechos clínicos – ou seja, os resultados obtidos pelos pacientes após o tratamento, considerando taxas de sobrevivência, tempo de internação e incidência de complicações, ajustados à gravidade inicial de cada caso. Essa avaliação abrange mais de 1.400 unidades em todo o país, e o posicionamento do Anchieta como “top performer” evidencia nosso alto desempenho na recuperação e no bem-estar dos pacientes em terapia intensiva. Tais reconhecimentos são a prova cabal de que a instituição opera sob os mais elevados padrões de qualidade e segurança do paciente.
O Hospital destaca que os procedimentos assistenciais, incluindo os fluxos de medicação e dispensação de fármacos, seguem protocolos rigorosos e não guardam relação com os fatos investigados, uma vez que, conforme amplamente divulgado pelas autoridades, trata-se de um ato criminoso doloso e premeditado, praticado com a intenção deliberada de causar o óbito das vítimas. Registra-se, inclusive, que um dos óbitos não envolveu sequer a administração de medicamento, mas a utilização de produto de higiene, reforçando o caráter intencional e alheio à rotina hospitalar.
A instituição reafirma que atua nesse caso na condição de vítima e denunciante e que não lhe foi franqueado acesso aos autos do inquérito, razão pela qual o fornecimento de informações adicionais deve ser solicitado diretamente às autoridades policiais. Em respeito ao sigilo médico, à legislação de proteção de dados pessoais e ao segredo de justiça decretado na investigação em curso, o Hospital Anchieta esclarece que não pode divulgar detalhes operacionais da investigação, cronologias, dados de pacientes ou informações individuais, cabendo exclusivamente às autoridades policiais e judiciais a condução e a divulgação de informações oficiais.
O Hospital permanece colaborando de maneira irrestrita e incondicional com as autoridades, de forma responsável, ética e transparente e solidariza-se com as famílias envolvidas nesse caso.
Reafirma sua confiança no profissionalismo, na ética e no compromisso da imensa maioria dos profissionais de saúde – técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos e demais equipes assistenciais –, que atuam incansavelmente, com responsabilidade e dedicação, na missão de cuidar da vida das pessoas.
O Hospital Anchieta confirma, por fim, seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, a qualidade da assistência, a verdade e a Justiça.
