A investigação sobre o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael, em Bacabal (MA), teve um novo desdobramento nesta semana. Com o caso entrando na terceira semana sem pistas concretas, a Polícia Civil do Maranhão passou a ouvir moradores de uma vila de pescadores localizada no povoado São Raimundo, próximo à região onde o primo das crianças, Anderson Kauã, de 8 anos, foi encontrado com vida.
Os pescadores foram ouvidos na condição de testemunhas por delegados e investigadores que integram uma comissão especial formada por oito profissionais, responsável pelo inquérito. Segundo a Polícia Civil, não há indícios de envolvimento dos moradores no desaparecimento das crianças, e os depoimentos buscam ampliar o volume de informações que possam levar ao paradeiro dos irmãos.
Paralelamente às oitivas, as buscas foram intensificadas em áreas de mata, no rio Mearim, nas proximidades do quilombo São Sebastião dos Pretos, onde as crianças moravam, e também no povoado São Raimundo. As operações já entram no 16º dia consecutivo.
Sonar reforça buscas no rio Mearim
Desde o último fim de semana, a Marinha do Brasil passou a atuar diretamente nas buscas com o uso de um side scan sonar, equipamento capaz de mapear o fundo do rio por meio de ondas sonoras, mesmo em locais de baixa visibilidade. Ao todo, 11 militares participam da operação, que deve durar inicialmente 10 dias, com possibilidade de prorrogação.
O uso do sonar foi solicitado devido às dificuldades enfrentadas pelos mergulhadores, como correnteza forte, galhos submersos e água turva. O equipamento permite identificar anomalias no leito do rio, que depois são verificadas pelas equipes de mergulho, acelerando o trabalho.
As buscas no rio foram reforçadas após o relato de Anderson Kauã, que afirmou ter estado com os primos em uma casa abandonada, conhecida como “casa caída”, às margens do Mearim. Cães farejadores indicaram a presença das crianças no local e desceram uma ribanceira em direção ao rio durante as varreduras.
Varredura por quadrantes e força-tarefa ampliada
O Corpo de Bombeiros adotou a estratégia de varredura por quadrantes, com áreas de aproximadamente 90 mil metros quadrados cada. Ao todo, 45 quadrantes foram delimitados, sendo que 25 já foram completamente vistoriados. A definição do perímetro leva em conta um triângulo formado pelo ponto onde as crianças saíram, onde roupas foram encontradas e o último local onde um dos meninos foi visto.
Mais de mil pessoas participam das buscas, entre profissionais do Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Militar, Exército Brasileiro, Guarda Municipal, ICMBio e voluntários. As equipes utilizam aplicativos de geolocalização para mapear as áreas já percorridas e garantir a segurança dos participantes.
Enquanto as operações continuam em campo, a Polícia Civil segue com as investigações paralelas, ouvindo testemunhas e familiares. O Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA) também atua no município, com psicólogos e assistentes sociais responsáveis por avaliações psicológicas e sociais relacionadas ao caso.
Leia mais em BacciNotícias:
- Bacabal: saiba a principal linha de investigação do desaparecimento das crianças
- Tia de crianças detalha suspeitas sobre desaparecimento Bacabal; veja vídeo
- Crianças desaparecidas no Maranhão: Marinha chega à Bacabal para ajudar nas buscas

