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Lançamento: “Extermínio” retorna com quarto filme e prova que franquia ainda sabe incomodar cinema

Por Fhagner Soares, ContilNet

Quando Extermínio surgiu no início dos anos 2000, parecia apenas mais um filme sobre um vírus fora de controle. Mas havia algo ali que incomodava além dos infectados correndo em velocidade impossível: um olhar cru sobre o colapso social e a fragilidade da ordem humana. Duas décadas depois, com Extermínio: O Templo dos Ossos, a franquia retorna aos cinemas lembrando que seu verdadeiro terror nunca esteve apenas na doença.

Franquia Extermínio/ Foto: Reprodução

Dirigido agora com uma proposta mais contemplativa, o quarto filme entende que repetir a fórmula da urgência não seria suficiente. Se o original apostava no choque e na sensação de mundo recém-destruído, O Templo dos Ossos olha para o que sobra depois que o pânico vira rotina. Ruínas, silêncio e memória passam a ser tão ameaçadores quanto os próprios infectados.

Revisitar a franquia ajuda a entender esse caminho. Extermínio (2002), sob o comando de Danny Boyle, redefiniu o subgênero ao misturar estética quase documental, tensão política e uma Londres vazia que parecia anunciar o fim de qualquer pacto civilizatório. Extermínio 2 (2007) ampliou o escopo, trocando a angústia íntima por uma abordagem mais militarizada, onde decisões frias custavam vidas com assustadora facilidade.

Um dos filmes mais influentes no universo de zumbis/ Foto: Reprodução

O novo capítulo não tenta competir com esses momentos icônicos. Em vez disso, escolhe um caminho mais melancólico. Aqui, o horror não vem só do ataque, mas da constatação de que sobreviver também significa carregar traumas, culpas e crenças distorcidas. O vírus continua sendo a ameaça visível; o que assombra de verdade é o que as pessoas se tornaram após anos de devastação.

Não é um filme apressado, nem interessado em grandes cenas de ação para viralizar em trailers. A força está na atmosfera pesada, nos espaços tomados pelo abandono e na ideia incômoda de que talvez não exista reconstrução possível — apenas adaptação ao pior. É nesse ponto que O Templo dos Ossos se conecta de forma surpreendente com o presente.

Se tornando um dos filmes que possuem enredo mais bem construídos dos ultimos tempos/ Foto: Reprodução

A franquia sempre funcionou como espelho social, e este quarto filme mantém essa vocação. Em um mundo que atravessou crises sanitárias reais, discursos extremados e colapsos de confiança coletiva, Extermínio soa menos como ficção e mais como alerta tardio. O medo já não é novidade; a normalização dele é que assusta.

Extermínio: O Templo dos Ossos não reinventa a saga nem pretende ser seu ápice definitivo. Mas acerta ao entender que continuar relevante não significa correr mais rápido, e sim olhar mais fundo. No fim, a franquia prova que seu legado não está nos infectados, mas na pergunta incômoda que insiste em fazer: o que sobra da humanidade quando todo o resto já desmoronou?

E com os dois filmes recentes provou que ainda havia muito a ser contato/ Foto: Reprodução

Fhagner Soares — o cinema sob outro olhar.

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