Lei do salårio mínimo, que faz 90 anos, organizou relaçÔes de trabalho

Por AgĂȘncia Brasil 14/01/2026


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A lei que criou o salĂĄrio mĂ­nimo (nÂș 185, de 1936), e que seria regulamentada em 1940, foi resultado de um contexto de lutas de trabalhadores, demarcou uma reordenação social e incomodou elites econĂŽmicas, avaliam historiadores ouvidos pela AgĂȘncia Brasil. Lei do salĂĄrio mĂ­nimo, que faz 90 anos, organizou relaçÔes de trabalhoLei do salĂĄrio mĂ­nimo, que faz 90 anos, organizou relaçÔes de trabalho

O primeiro artigo da lei enuncia: “Todo trabalhador tem direito, em pagamento do serviço prestado,  a um salĂĄrio mĂ­nimo capaz de satisfazer, em determinada regiĂŁo do paĂ­s e em determinada Ă©poca, suas necessidades normais de alimentação, habitação, vestuĂĄrio, higiene e transporte”.

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 A legislação completa 90 anos nesta quarta-feira (14). Segundo o professor de histĂłria Mateus Gamba Torres, da Universidade de BrasĂ­lia (UnB), durante os anos 1910 e 1920, ocorreram greves no Brasil com exigĂȘncia de melhores condiçÔes de trabalho.

“AtĂ© entĂŁo, o contrato era civil, de prestação de serviços. NĂŁo existia um valor mĂ­nimo que o empregador deveria pagar”, afirma. 

PressÔes

Inclusive, desde o final do século 19, como ele explica, movimentos de trabalhadores e o contexto internacional, como a legislação mais avançada de outros países (entre elas a do Uruguai) favoreceram a evolução também no Brasil.

Outro pesquisador, o professor Deusdedith Rocha, do Centro Universitårio de Brasília (Ceub), aponta que se trata de um período de reorganização das relaçÔes trabalhistas da época.

“Esse Ă© um perĂ­odo de transição de uma sociedade mais agroexportadora para uma sociedade cada vez mais urbana e industrial”, afirma. 

Segundo ele, a mudança  introduziu uma nova cultura, ainda que fosse efetiva, na pråtica, na Região Sudeste. Rocha avalia que, em que pese a evolução das relaçÔes com o salårio mínimo, a legislação favoreceu o controle político.

Em relação a esse momento, Mateus Torres, da UnB, ressalta que a histĂłria das conquistas de cidadania por parte da classe trabalhadora tem relação com as pressĂ”es exercidas sobre os representantes pĂșblicos, como foi o caso.

Postura dĂșbia

O entĂŁo presidente GetĂșlio Vargas sofreu pressĂ”es tambĂ©m das elites econĂŽmicas, conforme identificam os pesquisadores, mesmo com mais dinheiro injetado na economia. De acordo com o professor Deusdedith Rocha, a elite brasileira teve postura ambivalente ao receber a novidade do salĂĄrio mĂ­nimo. 

“Tanto resistiu quanto se acomodou estrategicamente para se adaptar às mudanças que ocorriam naquele momento. As desconfianças do setor agrário eram compensada pela ideia de estabilização social”, afirma. 

Mateus Gamba, da UnB, acrescenta que o mínimo se consolidou como conquista fundamental para a regulação das relaçÔes de trabalho.

“O trabalhador percebeu o salĂĄrio mĂ­nimo como algo fundamental para ter a possibilidade maior de sobrevivĂȘncia”.

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