Livro celebra o encontro de João das Neves com a floresta e os povos indígenas do Acre

“O Encenador e a Floresta” será lançado no dia 28 de janeiro, na Usina de Arte João Donato, com leituras, música e homenagens ao dramaturgo

Um reencontro entre o teatro brasileiro e a floresta. No dia 28 de janeiro, às 19h, a Usina de Arte João Donato, em Rio Branco, recebe o lançamento do livro “O Encenador e a Floresta”, obra que mergulha no período em que o dramaturgo, ator e diretor teatral João das Neves viveu no Acre, entre 1986 e 1991, aprofundando uma relação transformadora com os povos indígenas e com a Amazônia.

O evento será marcado por leituras de trechos do livro e interpretações musicais de espetáculos históricos, realizadas por atores e músicos acreanos que trabalharam com o artista, além da participação especial da cantora Titane, parceira de vida e criação de João das Neves por duas décadas.

Lançamento do livro O Encenador e a Floresta acontece no dia 28 de janeiro, na Usina de Arte João Donato, celebrando o encontro de João das Neves com a floresta amazônica e os povos indígenas do Acre/Foto: Ascom

Publicado pela Associação Campo das Vertentes (ACV) e pela Relicário Edições, o livro é organizado por Mara Vanessa Dutra, Rodrigo Cohen e Titane e reúne textos fundamentais do dramaturgo, ator e diretor teatral, incluindo o inédito “Diário de Viagem ao Yuraiá”.

A obra lança luz sobre um dos períodos mais férteis e menos conhecidos da trajetória de João das Neves, quando o artista se deixou atravessar pela floresta, pelos rios e pelos saberes indígenas, incorporando essas experiências à sua escrita e à sua cena — motivo pelo qual o lançamento acontece em Rio Branco.

O evento conta com o apoio do Tribunal de Contas do Estado do Acre, além de artistas e coletivos locais.


Arte, pensamento indígena e memória viva

Com prefácio de Ailton Krenak e ilustração de capa do coletivo MAKHU (Movimento dos Artistas Huni Kuin), enviada por Ibã Huni Kuin, o livro estabelece um diálogo profundo entre artes cênicas, cosmologias indígenas e pensamento ambiental.

Amigos de João desde os tempos do Acre, Krenak e Ibã Huni Kuin ajudam a revelar as camadas espirituais, políticas e poéticas que atravessam a obra.

O posfácio, assinado por Mara Vanessa Dutra, contextualiza o Acre daquele período e recupera a intensa atuação de João das Neves junto a lideranças indígenas e ambientalistas, a criação do Grupo Poronga de Teatro e a chamada trilogia acreana:

  • Caderno de Acontecimentos

  • Tributo a Chico Mendes

  • Yuraia – o rio do nosso corpo

O texto foi construído a partir de entrevistas com familiares, artistas colaboradores, indígenas, indigenistas e representantes de instituições com as quais o dramaturgo dialogou.


Uma obra dentro de um projeto maior

“O Encenador e a Floresta” integra um conjunto de publicações idealizadas por João das Neves nos últimos anos de vida, como forma de refletir e organizar sua trajetória artística. Entre elas estão:

  • “Grupo Opinião: Por cima do Temporal”, em fase de finalização junto ao Ateliê Editorial da USP

  • “Estado de Arte – João das Neves e Minas Gerais”, organizada por João Paulo Cunha, Ludmila Ribeiro e Titane, lançada em 2022 pela ACV

Fomentado pelo Programa Funarte Retomada 2023 – Teatro, o livro vem completar a série, reunindo textos inéditos e não inéditos que evidenciam o encontro definitivo entre teatro, floresta e pensamento indígena.

As publicações fazem parte de uma série de iniciativas da Associação Campo das Vertentes, dedicadas à preservação, difusão e valorização do acervo João das Neves.


João das Neves e o Acre

Natural do Rio de Janeiro e radicado em Minas Gerais, João das Neves viveu no Acre por cerca de sete anos (1986 a 1991), período decisivo em sua trajetória artística e política.

Foi nesse território de encontros e transformações que fundou o Grupo Poronga de Teatro, com o qual desenvolveu criações profundamente conectadas às temáticas ambiental e indígena, como:

  • Tributo a Chico Mendes (1988)

  • Yuraiá – o rio do nosso corpo (1992)

As peças colocaram em cena os conflitos sociopolíticos da região e a luta dos chamados povos da floresta — indígenas e seringueiros — como forma de resistência cultural.

Sua experiência acreana incluiu ainda uma intensa imersão cultural junto ao povo Huni Kuin (Kaxinawá) e a realização de cursos de teatro em Rio Branco, vivências que marcaram de forma definitiva sua escrita e seu pensamento cênico.

Em 1992, João das Neves fixou residência em Minas Gerais, levando consigo a floresta como matéria viva de sua criação.

O dramaturgo faleceu em 24 de agosto de 2018, em Lagoa Santa (MG), na residência que dividia com Titane. Seu legado, no entanto, segue vivo e pulsante no teatro brasileiro.


João das Neves e o Grupo dos Dez

O lançamento de “O Encenador e a Floresta” também ocorre no contexto do projeto “Grupo dos Dez – 15 anos de Teatro Negro”, que conta com apresentação do Ministério da Cultura e Petrobras.

O grupo inicia sua turnê nacional por Rio Branco, entre os dias 29 de janeiro e 1º de fevereiro, e realiza uma homenagem aos 90 anos de nascimento de João das Neves, celebrado em 31 de janeiro de 1934.

João acompanhou ativamente o processo de criação e consolidação do grupo: dirigiu espetáculos, orientou ensaios, partilhou processos e contribuiu diretamente para o fortalecimento da linguagem cênica da companhia.

Entre os trabalhos realizados junto ao grupo, destaca-se o espetáculo “Madame Satã”, dirigido em parceria com Rodrigo Jerônimo, em 2015, quando João já tinha 80 anos. A peça — único espetáculo seu ainda em cartaz — reafirma a vitalidade criadora que marcou sua trajetória.


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