Lula critica açÔes dos EUA na Venezuela e defende multilateralismo

Por AgĂȘncia Brasil 18/01/2026 Ă s 13:58


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Em artigo publicado neste domingo (18) no jornal The New York Times, o presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva afirmou que os bombardeios dos Estados Unidos em territĂłrio venezuelano e a “captura” do presidente do paĂ­s, ocorridos no inĂ­cio de janeiro, representam “mais um capĂ­tulo lamentĂĄvel da contĂ­nua erosĂŁo do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida apĂłs a Segunda Guerra Mundial”.Lula critica açÔes dos EUA na Venezuela e defende multilateralismoLula critica açÔes dos EUA na Venezuela e defende multilateralismo

No texto, Lula critica o que classifica como ataques recorrentes de grandes potĂȘncias Ă  autoridade da Organização das NaçÔes Unidas (ONU) e de seu Conselho de Segurança. Segundo o presidente, “quando o uso da força para resolver disputas deixa de ser exceção e passa a ser regra, a paz, a segurança e a estabilidade globais ficam ameaçadas”.

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Lula afirma ainda que a aplicação seletiva das normas internacionais compromete o sistema global.

“Se as normas são seguidas apenas de forma seletiva, instala-se a anomia, que enfraquece não apenas os Estados individualmente, mas o sistema internacional como um todo”, escreveu.

Para o presidente, “sem regras coletivamente acordadas, Ă© impossĂ­vel construir sociedades livres, inclusivas e democrĂĄticas”.

Democracia

No artigo, Lula reconhece que chefes de Estado ou de governo, “de qualquer paĂ­s”, podem ser responsabilizados por açÔes que atentem contra a democracia e os direitos fundamentais.

No entanto, ressalta que “nĂŁo Ă© legĂ­timo que outro Estado se arrogue o direito de fazer justiça”. Segundo ele, “açÔes unilaterais ameaçam a estabilidade em todo o mundo, desorganizam o comĂ©rcio e os investimentos, aumentam o fluxo de refugiados e enfraquecem a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais”.

O presidente afirma ser “particularmente preocupante” que essas prĂĄticas estejam sendo aplicadas Ă  AmĂ©rica Latina e ao Caribe.

Segundo Lula, elas levam “violĂȘncia e instabilidade a uma parte do mundo que busca a paz por meio da igualdade soberana das naçÔes, da rejeição ao uso da força e da defesa da autodeterminação dos povos”.

Ele destaca que, “em mais de 200 anos de histĂłria independente, esta Ă© a primeira vez que a AmĂ©rica do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos”.

Ao tratar da regiĂŁo, Lula afirma que a AmĂ©rica Latina e o Caribe, com mais de 660 milhĂ”es de habitantes, “tĂȘm seus prĂłprios interesses e sonhos a defender”. Em um mundo multipolar, “nenhum paĂ­s deveria ter suas relaçÔes externas questionadas por buscar a universalidade”.

“NĂŁo seremos subservientes a empreendimentos hegemĂŽnicos” e defende que “construir uma regiĂŁo prĂłspera, pacĂ­fica e plural Ă© a Ășnica doutrina que nos serve”.

Agenda regional

Lula também defende, no artigo, a construção de uma agenda regional positiva, capaz de superar diferenças ideológicas.

“Queremos atrair investimentos em infraestrutura fĂ­sica e digital, promover empregos de qualidade, gerar renda e ampliar o comĂ©rcio dentro da regiĂŁo e com paĂ­ses de fora dela”, afirma. Segundo o presidente, “a cooperação Ă© fundamental para mobilizar os recursos de que tanto precisamos para combater a fome, a pobreza, o trĂĄfico de drogas e as mudanças climĂĄticas”.

Sobre a Venezuela, Lula afirma que “o futuro do país, assim como o de qualquer outro, deve permanecer nas mãos de seu povo”.

Apenas um processo político inclusivo, liderado por venezuelanos, levará a um futuro democrático e sustentável”.

Cooperação

No texto, Lula diz ainda que o Brasil continuará trabalhando com o governo e o povo venezuelanos para “proteger os mais de 1.300 quilîmetros de fronteira compartilhada” e aprofundar a cooperação bilateral.

Ao tratar da relação com os Estados Unidos, o presidente afirma que Brasil e EUA sĂŁo “as duas democracias mais populosas do continente americano”. Segundo Lula, “unir esforços em torno de planos concretos de investimento, comĂ©rcio e combate ao crime organizado Ă© o caminho a seguir”.

“Somente juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfĂ©rio que pertence a todos nĂłs.”

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