O Acre passou a registrar, a partir de 2022, um crescimento expressivo no fluxo de imigrantes venezuelanos que entram e saem do estado por vias terrestres, especialmente pelos municípios de Assis Brasil e Epitaciolândia, principais portas de acesso internacional na fronteira acreana. Os dados constam na tabela oficial de Fluxo Migratório nos Pontos Terrestres, que reúne registros entre 2017 e 2022.

Dados oficiais apontam saldo migratório positivo de quase 6 mil venezuelanos no estado, impulsionado pela crise sob o governo de Nicolás Maduro/Foto: Reprodução
Somente em 2022, 6.859 venezuelanos entraram no Acre, enquanto 1.040 deixaram o estado, resultando em um saldo migratório positivo de 5.819 pessoas. Antes desse período, entre 2017 e 2021, não há registros numéricos consolidados de venezuelanos nos pontos terrestres acreanos, o que indica uma mudança significativa no cenário migratório recente.
O aumento do fluxo está diretamente ligado ao agravamento da crise econômica, social e política na Venezuela, governada por Nicolás Maduro. O país enfrenta há anos hiperinflação, escassez de alimentos e medicamentos, desemprego elevado e restrições a liberdades civis, fatores que têm levado milhões de venezuelanos a buscar refúgio em países vizinhos, incluindo o Brasil.
O cenário migratório também pode ganhar novos contornos após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, confirmada por autoridades norte-americanas e repercutida pela imprensa internacional. A operação ocorreu por volta das 3h do sábado (3) e colocou Maduro sob custódia da Justiça americana, provocando reações imediatas no tabuleiro geopolítico mundial. Analistas avaliam que o episódio tende a aprofundar a instabilidade política na Venezuela e pode intensificar ainda mais o fluxo migratório de venezuelanos para países vizinhos, incluindo o Brasil, onde o Acre se consolida como uma das principais portas de entrada terrestre.
