Morre Scott Adams, criador da tira em quadrinhos “Dilbert”

Quadrinista era responsĂĄvel por uma das tirinhas mais populares dos Estados Unidos

Por CNN Brasil 13/01/2026

Scott Adams, o criador da popular tirinha em quadrinhos “Dilbert”, morreu, segundo anĂșncio publicado em suas redes sociais. Adams havia revelado em maio que foi diagnosticado com uma forma agressiva de cĂąncer de prĂłstata.

“Dilbert”, uma crĂŽnica sobre as indignidades do trabalho em escritĂłrio nos Estados Unidos, foi uma das tirinhas mais populares do paĂ­s, desde seu sucesso estrondoso nos anos 1990 atĂ© fevereiro de 2023, quando Adams fez comentĂĄrios racistas contra americanos negros, chamando-os de “grupo de Ăłdio” e sugerindo que pessoas brancas deveriam “se manter longe deles”, em resposta a uma pesquisa questionĂĄvel sobre se “era OK ser branco”.

Centenas de jornais deixaram de publicar “Dilbert” em questĂŁo de dias, e a tirinha logo foi descontinuada por sua distribuidora.

Morre Scott Adams, criador da tira em quadrinhos "Dilbert"

Morre Scott Adams, criador da tira em quadrinhos “Dilbert”/Foto: Reprodução

Adams começou a autopublicar a tirinha, uma “versĂŁo mais picante” chamada “Dilbert Reborn”, em seu site mediante assinatura. Ele parou de desenhar “Dilbert” em novembro de 2025 devido a cĂŁibras e paralisia parcial nas mĂŁos, embora tenha continuado a escrever as tirinhas.

Shelly Miles, ex-esposa de Adams, anunciou sua morte durante o episĂłdio desta terça-feira (13) do programa “Coffee with Scott Adams”, que ele apresentava diariamente atĂ© sua morte, lendo um comunicado escrito pelo prĂłprio Adams.

“Tive uma vida incrĂ­vel”, escreveu o quadrinista no comunicado, redigido no dia de Ano Novo. “Dei tudo de mim. Se vocĂȘ obteve algum benefĂ­cio do meu trabalho, peço que retribua da melhor forma possĂ­vel. Esse Ă© o legado que quero deixar. Sejam Ășteis e, por favor, saibam que amei todos vocĂȘs atĂ© o fim.”

Relembre a carreira de Scott Adams

Adams, natural de Nova York, trabalhou como caixa de banco de 1979 a 1986, o mesmo ano em que se formou com um MBA pela Universidade da CalifĂłrnia, em Berkeley. (Ele chegou a ser rendido duas vezes Ă  mĂŁo armada enquanto trabalhava como caixa, escreveu no retrospecto de 20 anos “Dilbert 2.0”.) Ele lançou “Dilbert” em 1989, quando trabalhava como engenheiro na companhia telefĂŽnica Pacific Bell, cujo ambiente estĂ©ril e funcionĂĄrios excĂȘntricos inspiraram a tira.

“Sobre o futuro de ‘Dilbert’, pode-se dizer que o grupo do qual eu fazia parte era um ambiente riquĂ­ssimo em alvos”, disse ele Ă  EE Times, publicação da indĂșstria eletrĂŽnica, em 2005.

“Dilbert” sĂł se tornou um sucesso alguns anos apĂłs sua estreia, quando Adams passou a ambientar a maioria das tiras no local de trabalho de seu protagonista, um funcionĂĄrio de escritĂłrio de Ăłculos. “NĂŁo era exatamente o que eu queria fazer, mas funcionou”, disse ele Ă  Associated Press ao vencer o prĂȘmio Reuben, da National Cartoonists Society, de melhor tira de quadrinhos de 1997.

Ele atribuiu o sucesso da tira Ă  “neutralidade” de Dilbert — Ă  ausĂȘncia de olhos visĂ­veis, por exemplo, mas tambĂ©m Ă  falta de detalhes especĂ­ficos sobre seu local ou função na empresa.

“As pessoas nĂŁo tĂȘm motivo para achar que nĂŁo Ă© exatamente como a experiĂȘncia delas”, disse Adams Ă  EE Times. “Por exemplo, tanto engenheiros quanto programadores estĂŁo convencidos de que Dilbert Ă© um deles.”

E por dĂ©cadas, “Dilbert” foi isso mesmo. Os leitores reconheciam seus prĂłprios chefes que fracassavam para cima no “chefe de cabelo pontudo” e sem noção de Dilbert, ou se identificavam com a batalha perdida do herĂłi homem comum contra a incompetĂȘncia em reuniĂ”es com colegas pouco brilhantes. Adams incluiu seu endereço de e-mail nas tiras por anos para reunir histĂłrias de leitores que enfrentavam dificuldades em seus prĂłprios escritĂłrios, material que “me mantĂ©m em movimento”, como disse Ă  revista New Yorker em 2008.

Após o sucesso da tira, Adams se sentiu imparável: “Por um tempo, tudo o que eu tocava virava ouro”, afirmou à Bloomberg em 2017.

Confiante na sua capacidade de vender praticamente qualquer coisa, ele entrou no ramo alimentício, com bem menos sucesso. Em 1997, abriu um restaurante perto de sua casa, na Califórnia, chamado Stacey’s Cafe.

Mais tarde, assumiu como chefe na unidade irmĂŁ, onde funcionĂĄrios o descreveram ao New York Times como “dramaticamente alheio Ă s duras realidades da indĂșstria de restaurantes”, apesar de seus muitos anos satirizando chefes desligados. As duas unidades do Stacey’s fecharam as portas em algum momento antes de 2017, segundo a Bloomberg.

Ele tambĂ©m foi, por um breve perĂ­odo, o responsĂĄvel pelo “Dilberito”, um burrito vegetariano congelado batizado em homenagem ao seu cartum e vendido como uma alternativa nutritiva Ă s refeiçÔes de micro-ondas pouco saudĂĄveis. (O site AV Club, em 2020, lembrou o produto como “arruinador de estĂŽmagos”.)

Lançado em 1999, o “Dilberito” foi descontinuado em 2003.

Alguns anos depois, Adams disse à New Yorker que “o mundo não estava interessado em ser saudável, então acabei saindo desse negócio”.

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensĂŁo de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteĂșdo de qualidade gratuitamente.