Mpox pode afetar fertilidade masculina, aponta estudo

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Mais de três anos após provocar uma emergência de saúde pública internacional, a mpox continua despertando a atenção da comunidade científica. Um novo estudo conduzido por pesquisadores canadenses revelou uma evolução inesperada da doença: o vírus foi capaz de permanecer nos testículos de camundongos por semanas após a infecção, causando danos significativos aos tecidos reprodutivos.

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A pesquisa, publicada em versão pré-print na plataforma bioRxiv em dezembro, analisou animais infectados com o clado IIb, a mesma cepa associada ao surto global de 2022. Segundo os cientistas, além da persistência viral, foi observada uma queda na produção de espermatozoides, o que levanta preocupações sobre possíveis impactos na fertilidade masculina.

“Esperávamos algum nível de inflamação, mas constatar que a infecção pode comprometer a fertilidade foi surpreendente”, afirmou a pesquisadora Alyson Kelvin, coautora do estudo, em entrevista à revista Nature.

Embora os testes tenham sido realizados apenas em animais, os resultados reforçam a hipótese de que o trato reprodutivo masculino possa funcionar como um reservatório do vírus. Isso ajudaria a explicar por que o contato sexual se consolidou como uma das principais formas de transmissão durante o surto recente.

Os especialistas alertam, no entanto, que ainda não há evidências em humanos, e que mais estudos clínicos são necessários para confirmar se os mesmos efeitos ocorrem em pessoas infectadas.

O que é a Mpox? 

A doença é causada por um vírus da família dos orthopoxvírus, a mesma da varíola humana, erradicada nos anos 1980. Apesar de historicamente apresentar baixa transmissibilidade, o vírus passou por mudanças genéticas que resultaram em surtos mais amplos na última década.

Atualmente, quatro clados da doença são conhecidos, e compreender as particularidades de cada um é considerado essencial para evitar novas emergências sanitárias. Mesmo com o avanço da vacinação e a queda nos casos mais graves, especialistas reforçam que a vigilância não pode ser relaxada.

“Nossas descobertas mostram que a mpox ainda é uma caixa de surpresas. Após duas emergências globais em poucos anos, é fundamental manter atenção constante”, conclui Kelvin.

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