Nipah: saiba mais sobre o vírus que preocupa a Ásia

Por AgĂȘncia Brasil 27/01/2026


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Autoridades sanitĂĄrias indianas enfrentam um novo surto do vĂ­rus Nipah. Na provĂ­ncia de Bengala Ocidental, pelo menos cinco casos foram confirmados entre profissionais de saĂșde de um hospital e cerca de 100 pessoas foram colocadas em quarentena na mesma unidade de saĂșde. PaĂ­ses vizinhos, incluindo TailĂąndia, Nepal e Taiwan, ampliaram as medidas sanitĂĄrias de precaução em aeroportos em razĂŁo do risco de disseminação.ebcebc

De acordo com a Organização Mundial da SaĂșde (OMS), o Nipah Ă© um vĂ­rus zoonĂłtico (transmitido de animais para humanos), mas que tambĂ©m pode ser transmitido por meio de alimentos contaminados ou diretamente entre pessoas. Em pacientes infectados, o vĂ­rus causa uma variedade de sintomas, desde infecçÔes assintomĂĄticas atĂ© doenças respiratĂłrias agudas e encefalite fatal. 

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“Embora o vĂ­rus Nipah tenha causado apenas alguns surtos conhecidos na Ásia, ele infecta uma ampla gama de animais e causa doenças graves e morte em humanos, tornando-se uma preocupação de saĂșde pĂșblica”, destacou a OMS. 

O consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia Benedito Fonseca explica que a incidĂȘncia do vĂ­rus na Índia por fatores ambientais e culturais e as formas de transmissĂŁo limitam o alcance, se comparadoa micro-organismos que causaram pandemias como a da covid-19.

Para o professor de infectologia da Faculdade de Medicina de RibeirĂŁo Preto da Universidade de SĂŁo Paulo (USP), Ă© pequeno o potencial do vĂ­rus se espalhar pelo planeta e causar uma nova pandemia.

Origem

Identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de suĂ­nos na MalĂĄsia, o Nipah foi registrado posteriormente em Bangladesh em 2001 e, desde entĂŁo, surtos quase anuais tĂȘm sido notificados no paĂ­s. A doença, segundo a OMS, tambĂ©m vem sendo periodicamente identificada no leste da Índia, onde fica Bengala Ocidental, epicentro do surto atual.

“Outras regiĂ”es podem estar em risco de infecção, visto que evidĂȘncias do vĂ­rus foram encontradas no reservatĂłrio natural conhecido (morcego do gĂȘnero Pteropus) e em diversas outras espĂ©cies de morcegos em vĂĄrios paĂ­ses, incluindo Camboja, Gana, IndonĂ©sia, Madagascar, Filipinas e TailĂąndia.

TransmissĂŁo

Durante o primeiro surto reconhecido do Nipah, na Malåsia, e que também afetou Singapura, a maioria das infecçÔes humanas resultou do contato direto com porcos doentes. Acredita-se que a transmissão tenha ocorrido por meio da exposição desprotegida às secreçÔes dos porcos ou pelo contato desprotegido com a carcaça de um animal doente.

Em surtos subsequentes, em Bangladesh e na Índia, o consumo de frutas e produtos derivados, como suco, contaminados com urina ou saliva de morcegos frugĂ­voros infectados pelo vĂ­rus foi a fonte de infecção mais provĂĄvel. A transmissĂŁo do vĂ­rus de pessoa para pessoa tambĂ©m foi relatada entre familiares e cuidadores de pacientes infectados, por meio do contato prĂłximo com secreçÔes e excreçÔes humanas. 

Em Siliguri, na Índia, em 2001, a transmissĂŁo do Nipah tambĂ©m foi relatada em uma unidade de saĂșde, onde 75% dos casos ocorreram entre funcionĂĄrios ou visitantes do hospital. Entre 2001 e 2008, cerca de metade dos casos relatados em Bangladesh foram causados por transmissĂŁo de pessoa para pessoa, atravĂ©s do atendimento a pacientes infectados.

Sinais e sintomas

Segundo a OMS, pacientes infectados desenvolvem inicialmente sintomas como:

  • febre 
  • dor de cabeça 
  • mialgia (dor muscular)
  • vĂŽmitos 
  • dor de garganta

Os sintomas que podem vir a seguir são:

  • tonturas
  • sonolĂȘncia 
  • alteração do nĂ­vel de consciĂȘncia 
  • sinais neurolĂłgicos que indicam encefalite aguda. 

Algumas pacientes também podem apresentar pneumonia atípica e problemas respiratórios graves, incluindo síndrome do desconforto respiratório agudo. Encefalite e convulsÔes ocorrem em casos graves, progredindo para coma entre 24 horas a 48 horas.

O período de incubação do Nipah (intervalo entre a infecção e o início dos sintomas) varia de quatro a 14 dias, mas jå foram relatados períodos de incubação de até 45 dias.

Ainda de acordo com a OMS, a maioria das pessoas que sobrevivem Ă  encefalite aguda causada pelo vĂ­rus se recupera completamente, mas sequelas neurolĂłgicas de longo prazo foram relatadas em cerca de 20% dos sobreviventes, incluindo distĂșrbios convulsivos e alteraçÔes de personalidade. 

Um pequeno nĂșmero de pessoas que se recuperam posteriormente apresenta recaĂ­da ou desenvolve encefalite de inĂ­cio tardio.

A taxa de letalidade do Nipah Ă© estimada entre 40% e 75% e pode variar de acordo com o surto, dependendo da capacidade local de vigilĂąncia epidemiolĂłgica e de manejo clĂ­nico de pacientes.

DiagnĂłstico

Como os sintomas iniciais da infecção são inespecíficos, o diagnóstico, muitas vezes, demora, o que comumente gera desafios na detecção de surtos, na implementação de medidas eficazes e oportunas de controle da infecção e nas atividades de resposta a surtos do Nipah.

A infecção pode ser diagnosticada com base no histórico clínico durante as fases aguda e de convalescença da doença. Os principais testes utilizados são o RT-PCR em fluidos corporais e a detecção de anticorpos por meio do ensaio imunoenzimåtico. Outros testes utilizados incluem o ensaio de PCR e o isolamento viral por cultura celular.

Tratamento

Atualmente, não existem medicamentos ou vacinas específicos para a infecção pelo vírus, embora a OMS tenha identificado o Nipah como parte de sua lista de patógenos com potencial de desencadear uma epidemia. A recomendação da entidade é que os pacientes sejam submetidos a tratamento intensivo de suporte para complicaçÔes respiratórias e neurológicas graves.

Hospedeiros

Morcegos frugĂ­voros da famĂ­lia Pteropodidae, sobretudo espĂ©cies que pertencem ao gĂȘnero Pteropus, sĂŁo classificados pela OMS como hospedeiros naturais do Nipah. NĂŁo hĂĄ sinais aparentes da doença nesses animais.

Os primeiros surtos do vírus em suínos e em outros animais domésticos, como cavalos, cabras, ovelhas, gatos e cães, foram relatados durante o surto inicial na Malåsia, em 1999. O vírus, segundo a OMS, é altamente contagioso em suínos.

“Um suĂ­no infectado pode nĂŁo apresentar sintomas, mas alguns desenvolvem doença febril aguda, dificuldade respiratĂłria e sintomas neurolĂłgicos, como tremores, espasmos e contraçÔes musculares. Geralmente, a mortalidade Ă© baixa, exceto em leitĂ”es jovens”, diz a OMS.

Os sintomas, de acordo com a entidade, não são muito diferentes de outras doenças respiratórias e neurológicas que também afetam suínos. A orientação é suspeitar de infecção pelo Nipah caso os suínos também apresentem tosse incomum ou se houver casos de encefalite em humanos registrados na região.

Prevenção

Na ausĂȘncia de uma vacina, a OMS avalia que a Ășnica maneira de reduzir ou prevenir a infecção pelo Nipah em pessoas Ă© aumentar a conscientização sobre os fatores de risco, alĂ©m de educar a sociedade sobre medidas a serem tomadas para reduzir a exposição ao vĂ­rus.

Segundo a entidade, as mensagens educativas de saĂșde pĂșblica devem focar em:

  • reduzir o risco de transmissĂŁo de morcegos para humanos;
  • esforços para prevenir a transmissĂŁo, que devem se concentrar, em primeiro lugar, em diminuir o acesso de morcegos Ă  seiva de produtos alimentares frescos. “Manter os morcegos afastados dos locais de recolha da seiva com coberturas protetoras (como saias de bambu) pode ser Ăștil”. Os sucos recĂ©m-colhidos devem ser fervidos e as frutas devem ser bem lavadas e descascadas antes do consumo. Frutas com sinais de mordidas de morcego devem ser descartadas;
  • reduzir o risco de transmissĂŁo de animais para humanos;
  • utilizar luvas e outras roupas de proteção ao manusear animais doentes ou seus tecidos, e durante procedimentos de abate e eliminação. Na medida do possĂ­vel, as pessoas devem evitar contato com porcos infetados. Em ĂĄreas consideradas endĂȘmicas, deve-se considerar a presença de morcegos frugĂ­voros na ĂĄrea e, em geral, a ração e os estĂĄbulos dos suĂ­nos devem ser protegidos contra morcegos sempre que possĂ­vel;
  • reduzir o risco de transmissĂŁo de humano para humano;
  • evitar o contato fĂ­sico prĂłximo e desprotegido com pessoas infectadas pelo vĂ­rus. “A lavagem frequente das mĂŁos deve ser realizada apĂłs cuidar ou visitar pessoas doentes”, concluiu a OMS.

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