O Acre registrou 19 trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão ao longo de 2025, número confirmado ao ContilNet pelo superintendente regional do Trabalho, Leonardo Lani de Abreu. Embora o estado apareça entre aqueles com menor volume de ocorrências no país, os dados mostram que a prática segue presente e integrada a um cenário nacional amplo e complexo.
Em todo o Brasil, foram realizadas 2.772 ações fiscais de combate ao trabalho escravo no ano passado. Desse total, 1.549 operações tiveram foco direto na identificação e no resgate de vítimas do trabalho escravo contemporâneo. As ações resultaram no pagamento de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias, assegurando direitos básicos a trabalhadores encontrados em situação de exploração.
As fiscalizações também tiveram um alcance mais amplo: mais de 48 mil pessoas foram atendidas pelas equipes, incluindo trabalhadores que não estavam em situação de escravidão, mas apresentavam irregularidades trabalhistas, como ausência de registro, jornadas abusivas ou condições precárias de segurança, que foram corrigidas ainda durante as inspeções.
Um dos dados que mais chamam atenção é a mudança no perfil dos resgates. Em 2025, 68% dos trabalhadores foram resgatados em áreas urbanas, enquanto 32% estavam no meio rural, indicando que o problema deixou de ser predominantemente ligado a fazendas ou regiões isoladas e passou a ganhar força em cidades e atividades urbanas.
Os setores com maior número de resgates incluem extração e britamento de pedras para construção, administração pública, cultivo de café, obras de alvenaria e construção de edifícios. Também houve avanço na fiscalização do trabalho doméstico, com 122 ações fiscais e 34 resgates, voltadas principalmente à proteção de mulheres em situação de vulnerabilidade.
No recorte histórico, o superintendente Leonardo Lani lembra que o enfrentamento é contínuo. “Desde a criação, em 1995, do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, houve o resgate de 65.598 trabalhadores no Brasil e 263 no Estado do Acre”, destacou. Para 2026, segundo ele, o estado já reativou o Projeto Local de Combate ao Trabalho Análogo ao de Escravo e prevê sete novas ações de fiscalização.
Todos os trabalhadores resgatados têm direito ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado, com três parcelas de um salário mínimo, além de outras garantias legais.
